10 coisas que preciso lembrar de não esquecer

10 coisas que preciso lembrar de não esquecer

Helô Mello 

A lista está pronta. A ordem dos fatores altera o resultado:

. Por a mesa do café

(esqueci, primeiro tomar o meu banho para começar o dia desperto)

. Volto a mesa do café

Obs: Não comer muito para poder praticar o exercício depois

. Jogar o lixo fora 

(a lata já está lotada)

. Fazer ginastica. Em tempos de Corona o exercício é fundamental para o corpo e mente.

(Então é melhor tomar banho depois!)

. Esperar as compras do mercado.

            Lembrar de usar as luvas que estão na área de serviço. Sempre esqueço.

. Foco hoje no trabalho. O chefe deve me chamar no Zoom cedo.

            (Muito esforço para focar nessa tarefa porque vejo que preciso passar aspirador. Ainda não deu).

. Preparar uma comida saudável. 

(Não aguento mais viver de Miojo e sanduiche!)

. Lavar aquela louça para não acumular mais um dia na pia

. Lembrar e anotar aqui quais eram as outras tarefas que esqueci.

Acordei atrasado. Despertador deve ter tocado e nem percebi. Culpa do seriado que me fez dormir de madrugada. É mesmo um vicio. Pulei a ginastica, café será na mesa de trabalho, antes da chamada do chefe. Visto a última camisa passada que sobrou no guarda-roupa. Mais tarde vou tirar a calça do pijama. Deve dar para disfarçar. Sento-me na frente do computador. Começa a reunião. Toca o interfone. As compras chegaram. Preciso interromper para pegar as compras e pagar. Foi muito chato ter que explicar a ele esse contratempo. Não me pareceu que ele compreendeu a situação. Mas esse problema resolvo depois.

Desço de elevador. Esqueci de usar o cotovelo para apertar o andar térreo! Paciência. O álcool gel ficou junto com as luvas que comprei só para isso. Vou pagar e me distraio, chego perto demais. O rapaz se afasta de mim, apavorado. Dou uma risada sem jeito. Não foi de proposito. Subo com as compras, todos os dedos devem estar contaminados com o vírus, porque apertei o elevador, segurei a máquina de cartão com as duas mãos, peguei nas sacolas e se bobear cocei os olhos e o nariz. Saio do elevador de costas. Seguro a porta e arrasto para o hall os pacotes de compras que ocupavam todo o chão. A cada sacola que movo, a porta escorrega para fechar e com o pé esquerdo tento mantê-la aberta. O direito me dá equilíbrio para afastaá-las o mais longe possível da porta para dar espaço para as próximas que estão no fundo o elevador. O ballet continua (para que mesmo precisaria fazer ginastica hoje?!) até conseguir carregar todas para o hall. A porta do apartamento ficou distante de onde estou e preciso abrir caminho para conseguir chegar até lá sem tropeçar nos ovos ou nas bananas espalhadas no corredor. Entro. Putz! Esqueci de tirar os sapatos sujos! Volto. Quase tropeço dessa vez no pé de alface. Abro as sacolas no corredor ou dedetizo tudo em casa? Largo tudo ali e vou continuar a reunião com o chefe que me espera no telefone? Vejo o par de luvas me aguardando. 

Desisto do chefe, do vírus e das compras. Nem com lista para lembrar de não esquecer consigo organizar essa logística! Acho que vou ficar na cerveja, miojo e seriado. Depois organizo outra lista. A companhia do Corona pelo menos é invisível. 

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