PREFIRO DORMIR NA PRAIA

EDUARDO MUYLAERT

Juro que não foi minha culpa. O grandão apontou para mim, mas tropeçou. Peguei o 38 no chão. Disparei sem pensar.

Não deve ter doído muito. Ar de espanto. Queda rápida. Nem um pio. Foi mais o susto.

Quando percebi que ninguém tinha visto, veio uma calma perfeita.

Nunca tinha dormido em um automóvel. Bati forte no vidro. Abri a porta. O banco de trás é mais confortável.

Prefiro dormir na praia, com o barulho das ondas. Essa é minha melhor lembrança, uso para me acalmar.

Não é minha, seu guarda. Peguei só para me defender. Não quero mesmo ficar com a arma. Pode levar, é sua.

Não, nunca matei ninguém antes. Mas se fosse escolher um método, seria tiro mesmo. Sempre tive pavor de lâminas e facas.

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