CARTÃO DE VISITAS
Fumar maconha pelada me dá consciência das orelhas.
LEMBRANÇA DE UMA PRAIA QUE SEQUER CONHEÇO
Soraia não me deu bola, até que seu namoradinho voltou pra casa com a família. Só então veio me procurar. No duro? Não me importo. Apenas o suficiente para ainda me lembrar disso.
ME DÁ PEZINHO
Pulamos o muro do colégio para aprender o que ninguém ia ensinar lá dentro.
RAIO-X
Doutor, acho que eu quebrei minha promessa.
SEXTA-FEIRA SANTA
A gente bebeu demais e dormiu dentro do carro, com tudo de fora, esperando a feira abrir pra comer pastel. Acordei com um china batendo no vidro. O carro tava estacionado no lugar exato onde eles tinham que armar a tenda. Você riu tanto que não conseguia dar a partida, alguma droga rebatendo. Contei de uma vez que o Esmeraldo dormiu no volante e atropelou uma feira, isso foi em outra cidade, uma que ele não conhecia direito e portanto não sabia em que trecho era seguro cochilar dirigindo, acabou que invadiu justamente a barraca do pastel: arremessou longe o tacho de fritura, queimando de óleo as velhinhas que acordam de madrugada. Você comemorou, ainda rindo, ter desligado o carro antes de adormecer, tudo ao nosso redor uma questão menos importante de tempo, de posição, de velocidade, de temperatura.
SÁBADO DE ALELUIA (NOSSA SENHORA DA SOLIDÃO)
O gelo no copo: um relógio tosco onde só eu sei ver as horas.
SE EU JÁ MATEI ALGUÉM?
Acho que não, mas também nunca voltei para conferir.
