
Luiz Vilela é um contista mineiro da mesma geração de Sérgio Sant’Anna, Humberto Werneck e Jaime Prado Gouvêa, com quem trabalhou no Suplemento Literário de Minas Gerais, sob a direção do lendário Murilo Rubião. Faturou vários prêmios com o livro Tremor de Terra, publicado quando ele tinha só 23 anos, em 1965. Desde então, ao lado de Rubem Fonseca, Edyr Augusto Proença, Dalton Trevisan e Marçal Aquino, é considerado um dos melhores dialoguistas da literatura brasileira. O melhor livro recente dele é A Cabeça, publicado em 2002 pela Cosac Naify.
(Verissimo não conta, está em outro patamar.)
Repare como, tanto no conto “Luxo” quanto “Calor”, as duas histórias vão se entrelaçando sutilmente, até desembocar no desfecho implacável. “Calor” aborda um tema difícil: o relacionamento entre uma garota adolescente e seu tio, bem mais velho. A sedução de um quarentão em quarentena é ambígua – estará ele seduzindo ou sendo seduzido? Quem detém o poder, o velho ou a garota? Quem domina esta situação? Estamos vendo um abuso ou um jogo? Temos em um nível a sedução do tiozão e no segundo nível a criação do perfil psicológico da garota: afinal, quem está seduzindo quem, a garota, o tiozão – ou o texto, que nos faz bisbilhotarmos essa cena pelo buraco da fechadura?
No conto “Luxo”, um diálogo prosaico a respeito do tamanho que deve ter um banheiro em um apartamento expõe o velho funcionamento da casa grande & senzala, bem como o mecanismo do velho ditado “manda quem pode, obedece quem tem juízo”. O brilho da narrativa é expor, por trás de um diálogo supostamente engraçado, o modus operandi do nosso perverso sistema social. Repare que, mesmo sendo claro, se atendo ao indispensável, Vilela não se apoia em gírias, expressões fáticas ou palavras vazias – mas ainda assim temos acesso sutil à psicologia de cada personagem. Ele vai direto no ponto, mas apesar de rápido, não é raso. Uma dica: ele mais diz pelo que ele não diz – “a decantação da linguagem não está só na imitação da fala, mas também no uso estratégico das pausas e na escuta apurada do silêncio”, no dizer de Augusto Massi.
PROPOSTA
Pois é isto o que você vai fazer. Um conto totalmente construído sobre diálogos, usando o mínimo de verbos discendi (“disse”, “perguntei” etc) e descrições muito pontuais e diretas. Lembre que todo conto contém duas histórias, e que o que está sendo contado no diálogo pode ser totalmente mascarado pelo contexto ou pelo subtexto.
Você tem um único conflito: um personagem tenta convencer outro a fazer algo.
Mas você tem algumas opções:
– investigado e investigador;
– marido e mulher;
– paciente e médico;
– analisando e analista;
– subalterno e chefe;
– amante e marido;
– cliente e fornecedor;
– cliente e prostituta;
– cliente e depiladora;
– cliente e astróloga;
– cliente e personal;
– qualquer mistura entre essas duas categorias.
Em sete mil toques.
















