Helô Mello
– Vou mandá-lo a merda.
– Melhor não. Uma briga agora seria péssima ideia.
– Verdade. Deu trabalho. Cabelereiro, maquiagem, a roupa nova. Gastei uma grana.
– Então! Agora vai por tudo a perder? Só por causa de um tropeço à toa?
-À toa?! Ele estava se engraçando com aquela perua, que ficou o tempo todo dando em cima. E ele dando corda. Depois vem com uma cara de sonso. Ai que raiva!
-E se não tiverem tendo um caso? Se foi só um ciúme besta?
– Que ódio, que ódio!
– Não dá para saber.
– Tenho vontade de esganar. Nem sei se tenho vontade de massacrar o João ou atropelar a bruxa. E o cabelo?! Parece que passou um litro de laque para ficar armado daquele jeito. Ridículo.
– Então? Precisa decidir. Ou fica fofa, com cara de sonsa ou sai fazendo outro escândalo.
-Não sei como sair dessa. Será que trocam mensagens meigas no celular?
– Não dá para relaxar, recuperar a pose e sair como se nada fosse?
– E a minha cara de trouxa? Paparicar a megera que deu apoio, promoção. O que mais ela deu? Hein? Oque? Me fala?!
– Quem sabe chega em casa retoma aquele tezão e fica tudo bem.
– Imagine transar com ele e achar que estamos nós 3 na cama? Não. Não consigo. Melhor radicalizar agora. Fazer um escândalo.
– Você nunca foi disso. Logo agora… A cara toda borrada, o cabelo um nó.
– Mas seria bom, imagina só! Ela, com a roupa um número menor. Tudo explodindo para fora. Estava ri-dí-cu-la. Já acabo com essa alegria de uma vez. Pronto.
– Não teria coragem!
– Verdade. Acho que não. Então, qual alternativa?
– Não falar mais disso. Sair como der, sem perder a pose. Pega um taxi e some. Escapa de fininho. Amanhã manda flores para agradecer.
– Perder a balada por causa de uma maluca. E ainda agradecer? Arre.
– Pode continuar a tomar todas e esquecer. Amanhã acorda de ressaca e nem vai lembrar.
– Ah! Já sei. Na hora que ela entrar falo para ir procurar outro otário. Esse é meu. Folgada. Sua puta.
– Que papelão, hein? Até parece. Nem tem certeza se rolou alguma coisa…
– Devia ter dado em cima daquele gostoso. Um ciúme seria bom.
– Dançou. Não fez nada disso. Só viu os dois conversando perto da piscina.
– Podia ter empurrado a infeliz na água!
– Seria engraçado afogar a dona da festa, que você nem conhecia!
– Pois é. O seu vestido estava tão vermelho como a cara dele.
– Já estava bêbada. Não sabia que aquele mulherão, a dona da casa, era a sua chefe.
– Devia ter mantido a pose. Se não tivesse tropeçado de raiva quando vi os dois conversando, não estava ensopada, tendo que usar um roupão que a gentil pentelha emprestou enquanto ele dá uma de bem-educado e faz a média com aquela sirigaita louca. E eu aqui, trancada no banheiro, conversando com o espelho!
