
Recentemente Raymond Carver, um dos grandes contistas norte-americanos da segunda metade do século 20, teve publicada no Brasil uma seleta de poemas (Esta Vida, 34). Sua poesia, bem como sua prosa, é seca, porém aberta à emotividade. No entanto ambas têm algo em comum: sempre partem de uma imagem, de uma cena. Seu estilo foi chamado de “minimalista” pelo fato de Carver arrancar sentimentos de imagens visuais nítidas e diálogos naturalistas. Vejamos estes poemas.
A poesia, assim como a prosa, é quase sempre estruturada através de imagens concretas e de diálogos. Mas nem sempre os diálogos falam diretamente do assunto principal do conto.
PROPOSTA
Bem, é isso o que você vai fazer. Vai criar um conto baseado em uma cena específica. Primeiro pense na cena. Imagine a cena. Depois, a partir desta imagem, expanda sua narrativa. Para isso, você vai introduzir personagens conversando. Poucos personagens.
Ou seja, a maior parte de sua história será narrada através de diálogos. Mas o que seus personagens conversam não é o motivo principal do seu conto. Você irá narrar na terceira pessoa, usando o discurso indireto livre. Escolha uma das propostas:
1 Durante uma entrevista de emprego, a(o) entrevistado (a) sente tesão pelo(a) talvez futuro(a) chefe.
Cinco trabalhos possíveis: escola; restaurante; corretora de mercado de capitais; telemarketing; academia de ginástica. É um trabalho duro.
No seu conto, você vai descrever ambos os personagens, de duas maneiras:
– o(a) chefe descreve a(o) entrevistada(o);
– a(o) entrevistada(o) descreve o(a) chefe.
Lembre que o conflito é tanto a atração quanto a necessidade de emprego (de um) e de preencher a vaga (de outro).
2 Personagem infantil foi vítima de um crime (uma injúria, um assalto, um estupro) e vai à delegacia descrever o rosto do criminoso durante uma sessão de retrato falado. Narrar:
a) tanto a dificuldade do personagem em descrever o rosto e o crime, quanto…
b) a própria descrição do rosto do criminoso e do crime.
3 Escreva um conto em que o protagonista esteja à beira de revelar-se: ele é uma coisa, mas ao final torna-se outra.
Como estrutura: você começará a partir de uma cena, e concluirá em outra cena totalmente diferente.
Para compor seu personagem, pense na psicologia de um ou dois amigos seus — em especial seus maneirismos de fala. Procure descrever o espaço e seus personagens de modo muito concreto e coordenado com a ação.
Mostre, não conte. Não use advérbios, nem adjetivos, nem substantivos abstratos. Seja simples e direto nos diálogos.
Em mais ou menos 7 mil toques.













