Novo normal ou velho anormal?

Jamil Snege (1939-2003) foi um escritor, jornalista e publicitário paranaense que fez parte da turma de Paulo Leminski e Manoel Carlos Karam, todos influenciados pelo corte rápido da prosa de Dalton Trevisan. Publicou títulos como Os Verões da Grande Leitoa Branca e Como Se Fiz Por Si Mesmo, livros hoje bem difíceis de encontrar.

Sua obra é marcada por um leve surrealismo, pelo bom humor e pelas súbitas e sutis fissuras no real. É uma estética do corte, do rompimento brusco com a normalidade, que busca extrair do real os instantes de tensão poética, de estranhamento, tangenciando o insólito, o grotesco, o absurdo. Snege partilha da pequena comunidade do realismo-fantástico brasileiro, formada por gente como Murilo Rubião, Lygia Fagundes Telles, Moacyr Scliar e poucos mais. Seu diferencial talvez seja o amor que demonstra por seus personagens, ao lado de sua escrita límpida, precisa e elegante – herança do texto publicitário -, contaminada por repentinos relãmpagos líricos.

Aqui tem um belo perfil do Turco, como era chamado o Snege. E aí vão dois contos de Os Verões da Grande Leitoa Branca.

PROPOSTA

E é isso o que você vai fazer. Vai promover um corte brusco com a normalidade.

Você irá narrar um conto centrado em dois conflitos.

primeiro conflito é alguma questão complicada da sua própria vida (uma doença, um problema financeiro, uma questão emocional).

segundo conflito é um elemento fantástico totalmente ficcional e que não tem absolutamente nada a ver com o outro conflito nem com a sua vida.

A tensão entre esses dois conflitos, ambientados em uma cena simples do seu cotidiano, irá estruturar o seu conto.

Um exemplo tosco: você se irrita com o vazamento de água da torneira da pia da cozinha enquanto lava os pratos quando um palhaço estende uma toalha para ajudá-lo no serviço.

Restrições:

O seu protagonista deverá necessariamente trabalhar em uma ocupação em vias de cair em desuso:

  • cobrador
  • ascensorista
  • amolador de facas
  • caixa de banco
  • carteiro
  • agente de viagens
  • lenhador
  • comissário de bordo
  • impressor gráfico
  • coletor de impostos
  • etc

Narre na primeira pessoa, sem usar muitos adjetivos, advérbios ou substantivos abstratos (procurando trocá-los sempre por símiles, comparações e metáforas), em 7 mil toques.

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