Freak is beautiful

Guadalupe Nettel é uma escritora mexicana de 47 anos que viveu entre Paris, Barcelona e Canadá. Multipremiada, só teve no Brasil publicado o romance O Corpo em que Nasci (tradução deste professor)  É também uma super contista, figurinha fácil em revistas como Granta e New Yorker, e um dos seus melhores livros de contos é o Pétalos, que, no texto mais abaixo, Juan Pablo Villalobos discorre com habituais inteligência e humor (não deixem de ler este texto).

O romance é um bildungsroman clássico, ou seja, narra a vida da personagem desde sua infância até sua maturidade, e a forma é a de solilóquio narrado para um terapeuta. A narradora nasceu com uma mancha no olho que ao mesmo tempo que a marca também mancha a sua percepção sobre o mundo. E é nesta dupla função que Nettel estabelece a poética do freak: aquele que tem uma característica diferente da suposta normalidade não só é visto, percebido e tratado como um diferente, mas também vê, percebe e trata a realidade de um jeito diferente. 

PROPOSTA

Bem, é isso o que você vai fazer no seu texto. Ele será narrado na primeira pessoa, para um terapeuta, um confidente, um padre, um amigo, que só ouve. Trata-se de uma contação.

Seu personagem terá alguma característica física ou psíquica não-convencional, que aparece desde um período específico da vida (infância, juventude, maturidade, velhice).

E é precisamente esta característica que vai moldar não só como ele é olhado pelos outros mas também como ele olha a realidade à sua volta.

Então, além de detalhar esta característica, você vai contar o que acontece com seu personagem durante o surgimento desta característica, o que acontece quando ele trata ou nega esta característica, e o que acontece quando ele aceita esta característica.

Ou seja, ele conta sua vida através de emoções conflitantes: a negação, a luta, a investigação e a aceitação.

Perceba que temos aí todo um arco de personagem, que abrange um bom tempo de sua vida.

Importante, portanto, é estruturar a história deste personagem ao redor desta característica específica.

Mas vai contar também o que acontecem outras pessoas à sua volta: amigos de escola, de trabalho, de clube, familiares, amigos, amores.

Ter uma característica peculiar vai fazer com que seu personagem também questione a esquisitice alheia – ou, pior, a noção de normalidade.

O que é ser normal?, eis a questão que ficará ao longo do seu texto.

Entre 5 e 10 mil toques

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