
Dino Buzzati é da grande geração dos escritores italianos que atravessaram ambas as guerras: Natalia Ginzburg, Primo Levi. Cesare Pavese, Elio Vittorini, Italo Calvino, Alberto Moravia. É muito marcado pelo primeiro romance, O Deserto dos Tártaros, de 1940, que lhe rendeu fama mundial e um belo filme de Valerio Zurlini. Seria definido como ‘surrealista’ por causa deste romance. O fato é que Buzzati sempre escreveu literatura realista, mesmo quando se aproximou da ficção científica ou quando escreveu roteiros para Fellini ou quando desenhou HQs como a linda Poema em Quadrinhos (Cosac Naify), que também ilustrou.
Digamos que o universo onírico e a linguagem por vezes romântica, carregada de adjetivos, faziam um contraste violento com narrativas bastante pé-no-chão, que nunca deixam de fazer uma venenosa crítica social, e são bastante situadas em seu tempo – O Deserto dos Tártaros é tanto influenciado por Kafka quanto pela atmosfera absurda do front italiano na África, onde Buzzati trabalhou como correspondente.
É em um romance de sua maturidade que fica mais evidente essa aproximação entre a atmosfera onírica e o comentário social, em um tom sempre compassivo e bem-humorado: Um Amor. Nele, um arquiteto cinquentão, que nunca se casou e satisfaz sua vida vazia saindo com garotas de programa, fica perdidamente apaixonado por uma jovem prostituta.
Narrado na terceira pessoa, em um discurso ora onipresente ora indireto livre, o romance nos mostra a derrocada de um homem seguro de si, arruinado pela visão romantizada de uma mulher que idealiza. Rimos dele, mas também choramos por Antonio, tão cego de amor que não percebe como está sendo descaradamente enganado por Laide. Aqui vai um trecho em que ele acredita que vai finalmente conquistá-la.
(O título deste post é uma homenagem a uma comédia de aventura de Carlos Reichenbach.)
PROPOSTA
Bem, é isso o que você vai fazer. Vai narrar a odisseia de um personagem ao encontro de outro personagem por quem está loucamente apaixonado.
Um encontro irá acontecer. Será um encontro crucial, fatal, terminal?
Uma chave para sua narração é a descrição detalhada do universo exterior. Como neste capítulo do romance de Buzzati, a paisagem externa tanto evoca quanto convoca a subjetividade do personagem apaixonado. As árvores sinalizam que Antonio está imerso no amor. Mas também o advertem que este amor pode ser perigoso, arriscado, equivocado.
Assim, descreva não só as motivações íntimas do seu personagem como também o percurso que ele vai fazer nesta viagem. Que pode ser:
- entre cidades
- entre bairros
- entre apartamentos
- entre cômodos
- entre países
- entre planetas
- entre estados da consciência
- entre planos da realidade
Conhecemos a partida. Conheceremos a chegada? Você decide se:
- o mais importante é narrar somente a expectativa de seu personagem, culminando em um final aberto
- ou se vai resolvê-la em um final fechado – que pode ser: a) épico ou b) anticlimático.
Você também escolhe se o registro de seu conto será de comédia, de aventura, de suspense, de drama ou de terror.
Você escolhe também se prefere narrar na primeira, na segunda ou na terceira pessoas.
Em até 9 mil toques.







