Te odeio, mamãe

Ariana Harcwicz é uma jovem (43) escritora argentina, autora de Morra, Amor e do recém-lançado A Débil Mental (ambos pela editora Instante), de onde tirei os trechos abaixo. Sua escrita é visceral no sentido mais literal da palavra: ela vai às vísceras para narrar os encontros e confrontos que tem com sua mãe. O corpo é o berço de todos os tormentos vividos pela portenha, em um trânsito – melhor diria um transe – entre fluidos e traumas concretos e físicos e suas autoanálises. Ariana não está pra brincadeira, não tem medo de ser politicamente incorretíssima e de chutar alguns tabus, como se lê nesta excelente entrevista.

A escrita hipnótica baseia-se no fluxo de consciência, aproximando episódios vividos em tempos diferentes, o que traz sobressaltos e uma desestabilização constante. Neste livro, todo estruturado em capítulos curtos, a narradora conta seus choques com a mãe, só às vezes suspensos por conta de um terceiro, seu namorado, que traz alguma serenidade a esta guera sem fim (que lembra Dalton Trevisan e a “guerra conjugal” entre João e Maria, Virginia Woolf, pela velocidade e mergulho no fluxo de consciência, e, na ausência de situações narrativas convencionais, o modo de abordar os “movimentos internos” típicos da Nathalie Sarraute). Apesar do clima claustrofóbico e perturbador, Ariana sabe criar imagens belas e surpreendentes, além de ter um senso de (auto) humor desconcertante (ela mesma se chama de débil mental), que trazem leveza ao livro.

PROPOSTA

E é isso mesmo o que você vai fazer.

Pensei em um tipo de texto que retome aquele velho exercício da proposta Exatidão, mas com variações.

Lembrando: aquela proposta sugeria fazer pequenos microcontos, todos relacionados a um só personagem.

No caso, o personagem único é a mãe.

Conflito: a mãe faz alguma coisa errada.

Estrutura: escreva em pequenos fragmentos, mas sempre na forma de cenas.

Podem ser diálogos, podem ser várias cenas numa mesma sequência, podem ser sequências distantes no tempo e no espaço, podem ser monólogos

Mas pense na cena (ou seja, personagens, lugar, espaço, tempo e conflito bem definidos).

Você pode narrar na primeira pessoa, na terceiravariando as pessoas… ou usar uma pessoa só.

Pode também mudar o foco narrativo: pode ser do ponto de vista da mãe, ou do ponto de vista do(a) filho(a), ou variar entre os focos.

Os fragmentos podem ter qualquer tamanho, mas devem obrigatoriamente conter cenas (no máximo uns dois fluxos de consciência, vá lá).

Todos os textinhos juntos precisam caber em 7 mil toques.

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