Vento ventania

Seguindo nosso revezamento de novas escritoras hispânicas e velhos escritores italianos, fui chegar neste conto do livro O Tempo Envelhece Depressa (Cosac Naify). Uma das muitas histórias perfeitas escritas por este italiano elegante, autor de pequenos clássicos como Os Últimos Três Dias de Fernando Pessoa – um autor em que era especialista (fluente em português, Tabucchi morava metade do ano em Lisboa) -, além de Afirma Pereira, incrível personagem que foi vivido no cinema por Marcello Mastroianni. Perceba como ele faz com que o vento vá delineando toda a descrição geográfica por onde o narrador passa, até chegar a um outro tipo de vento: a voz. Um texto de tensão quase atmosférica.

PROPOSTA

O que você vai fazer é parecido: vai usar o vento como condutor da sua narrativa. Vai ser uma forma de você trabalhar melhor as descrições concretas, pois o vento deve se amoldar aos lugares, objetos e personagens que forem passando pelo caminho do protagonista. 

O ponto de partida é: imagine que seu personagem acabou de chegar a um lugar onde venta demais. O vento é constante, não para nunca. Pode ir de uma brisa a um tufão. Como seu personagem se movimenta por este espaço?

Atenha-se ao seu personagem, ao que ele pensa, vê, deseja e sente. Ele pode ser qualquer tipo de pessoa. Este lugar onde venta demais pode ser qualquer tipo de paisagem.

Você pode usar um narrador na primeira pessoa ou no discurso indireto livre.  

Você tem aí uns 7 mil toques.

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