
Andrea Jeftanovic, chilena da mesma geração Bolaño (estreou em 2000), e, como Alejandro Zambra, elogiada por ele ainda em vida, tem ascendência sérvia e judaico-búlgara. Já disse que gosta de colocar seus personagens em situações-limite. Em Não Aceite Caramelos de Estranhos (Mundaréu), uma brilhante antologia de contos, ela usa a primeira pessoa para investigar uma série de tabus. Todos os seus temas são ligadas ao obsceno, ou seja, aquilo que, por motivos morais ou políticos, se coloca fora de cena: o incesto, o adultério, a traição, o ódio às crianças, o ódio aos velhos, a morte, a doença, a sujeira. Ela não tem medo de enfiar o dedo na ferida e ficar sambando lá dentro. Suas ferramentas são uma escrita povoada de metáforas, analogias e comparações surpreendentes, e uma cadência musical, que muitas vezes se aproxima da poesia. Mas suas narrativas são solidamente ancoradas em estruturas fabulares. Ela é uma grande contadora de histórias – que ninguém gosta de contar. Como esta.
PROPOSTA
Bem, o que você vai fazer é mais ou menos isso: o itinerário de um desaparecimento. Suponhamos que alguém sumiu. O que fazer? Como proceder? O que sentir? O que pode acontecer depois que acontece alguém tão importante?
Você vai usar a primeira pessoa para explorar o sumiço de um ente. Pode ser um personagem de seus contos.
Antes de escrever, decida-se pelo registro da sua narrativa: dramático? trágico? tragicômico? cômico? fantástico?
Qual o estado de espírito do narrador: alívio? tristeza? desolação? resignação? negação? felicidade?
Preocupe-se não só em narrar o desaparecimento mas os dias sucessivos e também os dias anteriores. Talvez não com tantos detalhes, talvez só umas pinceladas.
Sua narração pode ser à Jeftanovic, como um longo solilóquio. Mas não se esqueça de incluir diálogos, cenas, descrições.
Quem pode ter sumido?
- A mãe
- O pai
- Um outro parente (tio, vô)
- O filho ou a filha
- Um amor (marido, namorada etc)
- Um vizinho
- Um grande amigo
- Uma pessoa relevante da comunidade
Perguntas (não precisa responder a todas):
Por que teria desaparecido tal pessoa? Sequestrada? Morta? Fugida? Em que situação desapareceu? Como era o cenário político, econômico, familiar, cultural? O que pessoas próximas pensaram deste sumiço? A polícia deu conta? Foi necessário buscar um detetive? O narrador se resignou com o desaparecimento? Qual era a real natureza da relação entre o narrador e o sumido? O sumido deu pistas do sumiço? Foi um sumiço repentino? O sumido reaparecerá? Está igual ou mudado? Parece estranho? Está traumatizado? Foi abduzido? Não se lembra o que aconteceu? Ou lembra de tudo, nos mínimos detalhes?
Em no máximo 10 mil toques.









