
Paul B. Preciado é talvez o mais famoso filósofo trans do planeta. Nascida Beatriz Preciado há 50 anos na Espanha, transicionou entre os 42 e os 47 anos para algo como o gênero masculino – na verdade ela não se define nem mulher nem homem, e sim tudo ao mesmo tempo agora. A transição de gêneros não se resume ao seu corpo: seus textos também passam da poesia à prosa, da crônica ao ensaio, da não-ficção à autoficção. Neste Um Apartamento em Urano (em inglês daria um trocadilho e tanto, mas ela escreveu em espanhol), a ex-namorada de Virginie Despentes soma as crônicas que escreveu para o jornal francês Libération entre 2010 e 2018, além de palestras, conferências e textos para livros, e em quase todas descreve minuciosamente o que vinha acontecendo em seu corpo.
O que também se reflete em seu nomadismo: Paul passa poucas semanas no mesmo GPS, movendo-se incessantemente entre Paris, Barcelona, Nova York, Berlim e a Ilha de Lesbos, paraíso lésbico onde veio se fixar nos últimos anos – antes de precisar voltar à sua Burgos natal para cuidar dos pais durante a quarentena. Seu texto é portanto a ponta de lança de todos os hubs identitários contemporâneos – algo como uma Laerte de calças que demolisse todos os mitos da filosofia. O ponto de vista de onde escreve é dos mais originais e ricos para acompanhar neste estranho século 21. Não bastasse toda a infinidade de referências eruditas em suas crônicas, a escrita de Paul tem muito senso de humor, elegância e surpreende o leitor com um raro senso de compaixão pela humanidade. O movimento de buscar entender o outro acontece a cada vírgula.
PROPOSTA
Bem, não é exatamente isso o que você vai fazer – não precisa escrever um ensaio em prosa poética. A ideia é mais simples que isso.
Você vai pegar três corpos citados por Paul na crônica acima e vai colocá-los em rotas de encontro e confronto.
Assim:
A+B
B+A
B+C
A+ B + C
A + C – B
B + C – A
A- B – C
e quaisquer outras variações possíveis.
O que esses corpos vão fazer:
- transar
- brigar
- conversar
- discutir
- viajar
- trabalhar
- morrer
TODA A AÇÃO PARTE DO CORPO.
Portanto faça uma aliança entre as descrições de cada personagem e suas ações. Pense que em cada frase deverá buscar descrevê-los, mas também colocá-los em movimento, e nunca executar essas duas coisas separadamente.
Não se esqueça de dar nome e sobrenome para tais corpos.
Estrutura:
esses encontros ou confrontos acontecerão em CINCO CENAS separadas.
PROIBIDO CONTAR. TEM QUE MOSTRAR.
As cinco cenas podem estar conectadas através de uma história linear ou não-linear; você escolhe. (Linear é mais difícil, mas rola.)
Narre no discurso indireto livre.
Em até uns 10 mil toques.





