
Pouco se sabe de Carolina Tobar além de ser guatemalteca, ter 32 anos, viver em Buenos Aires após temporada nos EUA, onde estudou escrita criativa; hoje dirige a editora Las Hortencias. Estreou com o livro de contos x,y,z, que foi publicado no Brasil em 2020 pela Jabuticaba, uma pequena editora de SP especializada em novíssima poesia e prosa contemporâneas, em especial da América Latina. Com uma escrita pautada pela autoficção, Carolina investiga as mumunhas da memória, em especial o seu talento em forjar mentiras e cimentar ficções. Note como a tensão de seu texto é dada por uma angústia existencial – ela não parece confortável nem em sonho nem em vigília. Como diz o tradutor e editor Marcelo Lotufo na apresentação do livro, “uma busca incessante é a de pertencimento: uma consciência que tenta encontrar na relação com o Outro um lugar onde possa se firmar. Mas o Outro também parece estar de passagem ou deslocado”. O conto a seguir se chama “Aulas de voz”. Perceba como o simples e sutil truque de narrar tudo no presente do indicativo borra as fronteiras entre sonho e vigília, entre presente e passado.
PROPOSTA
Bem, é isso mesmo o que você vai fazer: uma mistura de diário com caderno dos sonhos.
É 100% autoficção aqui (embora a gente não tenha como saber se você inventou alguma coisa, nem no sonho nem na realidade).
Todo dia, logo depois de acordar, anote o que você sonhou.
Toda noite antes de dormir anote o que de relevante aconteceu.
Faça isso de amanhã até dois dias antes da próxima aula.
Não se esqueça de descrever concretamente sua rotina, dando nomes às coisas, aos fatos, aos fatos e às pessoas.
Da terça até o dia da próxima aula você poderá dar um tapa tanto nos sonhos quanto nas entradas do diário para tecer relações entre eles. Por exemplo: perceba como Carolina vai apresentando e retomando os temas do atual e do ex namorado ao longo de todo o texto.
O objetivo deste exercício é consolidar arcos narrativos que vão se formando ao longo de todos esses dias, entre os sonhos e o que acontece na sua vida real.
Ou seja: para dar consistência ao seu conto, personagens, eventos, fatos repetidos, sensações e reflexões (do sonho e da vigília) devem ir e voltar ao longo de todo o seu texto.
Escreva tudo no presente do indicativo.
Na primeira pessoa, em até 9 mil toques.



















