Desventuras em série

Marçal Aquino é um dos grandes narradores brasileiros. Discípulo confesso de Rubem Fonseca, sua escrita é ainda mais econômica e violenta, mas não raro tinta em uma ternura insuspeita e um humor meio caipira, típico de quem nasceu em Amparo. Seu realismo extremo foi batizado em redações de jornal, onde chegou a ser repórter de polícia. Um dos principais roteiristas da Globo, durante a pandemia concluiu o primeiro romance escrito em 15 anos, desde o sucesso de Eu Receberia as Piores Notícias de Seus Lindos Lábios: Baixo Esplendor. Dá pra ver que o sujeito é bom de título. Como o conto abaixo, “Dez maneiras de arranjar um inimigo (para facilitar o trabalho do legista)”, presente no seu melhor livro de contos, Faroestes, há décadas fora de catálogo – a capa e o design são obra do editor da Ciência do Acidente, o também escritor Joca Reiners Terron. Nele Marçal exercita sua peculiar arte de fotografar personagens miúdos, dramas prosaicos, detalhes precisos – e a dicção vagarosa e matreira, que não sugere o bote final. Todos os continhos têm a mesma pegada e são contados na segunda pessoa – o que te coloca direto na roubada.

PROPOSTA

E é isso mesmo o que você vai fazer. Vai criar uma série de relatos em que o protagonista marca touca, dá bobeira, entra numas e peida na farofa. Em outra palavras: uma série de relatos sobre tropeços, desventuras, maus passos, vacilos, gafes. O protagonista sempre se dá mal, e às vezes se dá muito mal mesmo.

Use suas próprias histórias e histórias de outrem para elencar os vacilos.

Seja econômico nas descrições. Economize nas reflexões e seja incisivo nas ações. Estruture tudo o que escrever sobre detalhes e características concretas. Preocupe-se com a ambientação e com os personagens. Não use substantivos abstratos, a não ser que sejam essenciais. Preste atenção aos detalhes. Conte como se fossem suas últimas histórias.

Conte tudo na segunda pessoa.

Escreva todos os seus minicontos em até 10 mil toques.

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