Os lugares dos outros

Fernando Bonassi, 58, que acaba de lançar novo romance, Degeneração, é um dos mais prolíficos narradores brasileiros – publicou mais de 20 livros. Dramaturgo, roteirista de TV e de cinema, começou como operário na Mooca, seu bairro natal – o subúrbio é o ambiente de quase tudo o que escreveu; a periferia, os pobres e a classe média baixa são sua perspectiva de mundo. Entre seus melhores livros estão Subúrbio Um Céu de Estrelas. Teve uma coluna na Folha nos 90, um cantinho onde descrevia viagens através de microcontos. Todos são atravessados por seu interesse na desigualdade social, na violência gratuita e em personagens e situações insólitas – tudo narrado por uma escrita concreta e cortante. A força do conjunto se dá através de um tema que atravessa todas as micronarrativas: as existências à margem do grande capital. Tais continho foram reunidos nesse belo volume da Cosac Naify, Passaporte.

PROPOSTA

É isso o que você vai fazer: escrever microcontos sobre diversos lugares onde você esteve na sua vida.

Mas atenção, você não vai falar sobre você mesmo.

Nem vai usar a primeira pessoa. Pode até se referir a si mesmo como observador ou como coadjuvante, mas nunca como foco principal. Seu foco serão personagens e ambientes alheios. Nessas microestórias você vai falar dos outros.

Instruções:

busque situações simples;

pense em narrativas que caibam em uma ou no máximo duas cenas;

um ou poucos personagens;

elementos concretos para descrever a ação, o personagem, o ambiente;

pratique a síntese, eliminando pronomes, advérbios, adjetivos e até verbos que não sejam essenciais à narrativa;

varie ao máximo os lugares, localidades, ambientes, paisagens, destinos;

você também pode variar o registro – carta, postal, diálogo, descrição, ensaio, receita, resenha etc etc

ao longo da escrita dos microcontos, pode ser que você encontre um padrão, um tema, um tipo de personagem, um tipo de situação, ou mesmo um tipo de lugar (assim como Bonassi se interessou pelo cotidiano das pessoas que estão na viração). Se encontrar tal padrão, insista nele e retrabalhe todos os textos de modo a formarem um mosaico da mesma ideia.

Cada microconto deve ter no máximo 800 toques (a média dos contos do Bonassi é de 500 toques). Cada texto deve indicar um lugar diferente. Escreva quantos quiser até no máximo 7 mil toques.

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