
John Cheever é muito conhecido por ter criado o exercício de escrita criativa mais copiado em oficinas pelo mundo: “Escreva uma carta de amor em um edifício em chamas”. Depois de sua morte, Cheever ficou famoso pelas cartas de amor que trocou com outros homens. Conhecido a vida inteira como heterossexual convicto e homofóbico, pai de uma linda família suburbana e colaborador mais querido da revista New Yorker, nos diários e cartas que foram editados após sua morte Cheever mostrou seu lado sombrio, depressivo e raivoso – em que contava seus mergulhos no álcool e no sexo sem limites, confessava detestar o casamento, os filhos, os amigos e praticamente toda a humanidade. Um sujeito muito diferente da imagem solar exposta em seus contos solares. Polêmicas à parte, Cheever continua um prazer de ler – como nesta coletânea, que lhe rendeu um prêmio Pulitzer. (Quem não quiser comprar o livro, pode baixar o piratoso aqui.) Suas histórias são divertidas, cheias de nuances e iluminações, com uma prosa elegante e ao mesmo tempo simples, e os retratos humanos dos ricos subúrbios são seu forte como leitor da sociedade norte-americana. Mas quem buscar ler nas entrelinhas vai sempre encontrar um flerte de Cheever com os mais obscuros desvãos da alma.
PROPOSTA
É isso mesmo o que você vai fazer: a biografia de um órgão do corpo.
Pode ser o seu corpo, ou o corpo de alguém que você conhece, ou de alguém que você inventou.
O essencial é se concentrar só nesta determinada parte: mão, pé, cotovelo, pescoço, cabelo, olhos, genitais, estômago, coração… só não vale a barriga, porque essa o Cheever já pegou.
Enriqueça a narrativa relacionando o íntimo ao público, a história pessoal e a história da cidade, do país, da geração, do mundo.
Conte na primeira pessoa (ou até mesmo na segunda ou na terceira, se preferir, desde que o foco narrativo esteja neste órgão), em uns 7 mil toques.












