Oaristos & períneos

Humberto Werneck, dos grandes cronistas do país, acaba de relançar o seu primeiro livro de crônicas, O Espalhador de Passarinhos (Arquipélago). São seus primeiros textos no gênero, demonstrando que ele aprendeu direitinho o riscado com seus ídolos mineiros – Paulo Mendes CamposFernando SabinoHélio Pellegrino Otto Lara Resende, os “quatro cavaleiros de um íntimo apocalipse” retratados em seu delicioso livro O Desatino da Rapaziada. O editor da revista Quatro Cinco Um ali tateava a crônica pelo viés jornalístico, sua profissão de origem, então quase sempre a forma ensaio típica da crônica é dada por uma tese. Ele parte de um assunto determinado e vai costurando associações livres, trocadilhos, informações dispersas, causos curiosos, anedotas fofinhas. A obra-prima, ainda acho, é aquela que costumo ler no curso inicial, “Ah, o copo de requeijão”. Mas aqui tem duas que conversam e que me inspiraram a arrancar duas propostas.

PROPOSTA

Bem, você pode fazer duas coisas:

1- Escreva um texto sobre um casal que conversa. Ou um texto sobre um casal que não conversa. Ou um texto sobre um casal em que um dos conjes quer conversar, mas o outro não. Ou um texto sobre um casal cujo silêncio é tão forte e significativo que nem precisam conversar. Ou um texto sobre um casal em que um conje implica com o outro o tempo todo. Onde está esse casal? Como eles são? Sobre o que conversam? Café da manhã, almoço, jantar? Primeiro date, encontro de rotina ou última conversinha?

Não se esqueça de que cada um deles tem de mostrar uma personalidade bem diferente. E que essa conversa – ou não-conversa- precisa manter a tensão até o fim.

Você pode escrever um conto ou uma crônica. Na terceira ou na primeira pessoas.

2- Quais são suas palavras favoritas? E suas palavras mais odiadas? Você coleciona palavras? Tem certa obsessão por algum termo? Já te aconteceu algo estranho motivado pelo uso equivocado de alguma palavra? Já parou de falar com alguém por causa do jeito como essa pessoa usa determinada palavra? Já se apaixonou por alguém por causa do jeito como essa pessoa usa determinada palavra? Já usou uma palavra no lugar de outra? Uma palavra pode te levar a lembrar de outra palavra, ou de uma pessoa, ou de um lugar, ou de uma época? Essa palavra pode puxar outra palavra?

Aqui também você pode escrever um conto ou uma crônica. Na terceira ou na primeira pessoas.

Em ambos os casos, escreva por volta de 6 mil toques.

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