Todo se fodió; bailemos

Washington Cucurto é o escritor argentino menos parecido com um escritor argentino. É a antítese de Borges. Sua literatura é nada cerebral, fortemente calcada na oralidade,, no prosaico, no físico, no contemporâneo, na descrição direta da vida – sempre com muito exagero. Uma prosa de pau duro. Editor, poeta, agitador cultural, criador da Eloisa Cartonera, primeira editora a disparar o projeto de xerocar e piratear livros, encaderná-los com papelão pintado por catadores de papel e vendê-los pelas ruas – iniciativa replicada em dezenas de cidades latino-americanas -, Cucurto tem 48 anos e, ao contrário de Borges, é negro e não ama o tango. Cucurto ama a cumbia e o reggaetón criados e praticados no bairro Constituición, em Buenos Aires, reduto de paraguaios, bolivianos, colombianos e os negros que os argentinos europeizados não mataram. É o que se percebe neste engraçadíssimo romance, em que um Cucurto ficcional, rei do ritmo, é perseguido por dezenas de mulheres enquanto busca a sua amada, desencadeando uma verdadeira guerra civil.

PROPOSTA

Bem, é isso o que você vai fazer: dançar.

Seu personagem está em um bar, uma boate, uma balada, uma festa, um show, em busca de uma pessoa que iria encontrar, ou que se perdeu, ou que está atrás dele, ou de quem ele está se escondendo, ou de quem tem medo.

Descreva todas as situações possíveis, o ambiente, a atmosfera, as músicas, os personagens que desfilam em tal lugar, a aflição do personagem que não encontra a pessoa que quer, além, claro, desta pessoa.

Obviamente se você pegar algum lugar ou alguma situação que já viveu a coisa pode ficar bem mais fácil. Se ficar fácil, não hesite: exagere.

Narre na primeira, na segunda ou na terceira pessoas, você escolhe.

Em uns 8 mil toques.

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