
After Hours é uma comédia de humor negro de 1985, dirigida por Martin Scorsese, escrita por Joseph Minion. O filme segue Paul Kackett, um redator que trabalha em um jornal, em suas atribulações em uma madrugada pelo SoHo depois de ter ido atrás de uma desconhecida. O filme pertence ao subgênero “ciclo de pesadelo yuppie“: o tipo de narrativa que combina os gêneros comédia maluca e noir. Na leitura psicanalítica de After Hours, Paul é constantemente castrado por mulheres no filme: por Kiki com sua agressividade sexual e desejo de sadomasoquismo; Marcy recusando seus avanços sexuais; Julie e Gail virando uma multidão de vigilantes contra ele; June prendendo-o em gesso, tornando-o indefeso. Há muitas referências à castração no filme, a maioria mostrada quando as mulheres estão presentes. No banheiro do Terminal Bar, onde Julie encontra Paul pela primeira vez, há uma imagem rabiscada na parede de um tubarão mordendo o pênis ereto de um homem. Marcy faz uma referência a seu marido usando um duplo sentido ao dizer: “Eu quebrei a coisa toda” ao falar sobre ela e a vida sexual de seu marido. E uma das ratoeiras que cercam sua cama se fecha quando Julie tenta seduzir Paul. Michael Rabiger, no livro Direção, viu o simbolismo mitológico como um tema primário usado por Scorsese: “O herói da comédia sombria After Hours é como um rato tentando escapar de um labirinto. O filme poderia ser traçado como uma jornada labiríntica, cada compartimento contendo a promessa de uma experiência particular, quase toda ilusória e enganosa”.
PROPOSTA
É isso o que você vai fazer. A jornada de um rato numa ratoeira.
Seu personagem sai de casa mas, por mais que tente, nunca mais consegue voltar pra casa.
Que acontece com ele? Quais são seus perrengues, seus obstáculos, seus desejos? Ele é mais atrapalhado por sua falta de sorte ou por suas vontades indomáveis? Acasos e coincidências acontecem na sua história? Como são os personagens com quem ele topa? Ele passa o dia fora? A noite fora? Como são os lugares por que ele passa? Ele se sente angustiado, infeliz, aventuroso, sortudo, azarado, divertido?
Como você vai focar mais na ação e na descrição objetiva do que na reflexão subjetiva, não precisa dar muitos detalhes sobre a personalidade do protagonista – vai mostrá-lo como ele é enquanto ele faz as coisas. Ou seja: suas ações é que vão revelar sua personalidade, do seu modo de encarar as adversidades ao seu modo de falar.
Escreva em qualquer pessoa, em até uns 8 mil toques.
