
Daniil Kharms viveu só 36 anos antes de ser vitimado pela perseguição soviética, que não o deixava trabalhar, e acabou morrendo de fome em um hospício. Em vida foi conhecido por seus escritos de vanguarda (era colega dos transgressores Khlébnikov e Málevitch) e seus contos infanto-juvenis – alguns deles reunidos no maravilhoso Esqueci Como Se Chama (Cosac Naify), que pode ser baixado no nosso querido site russo. A Velha, uma novelinha absurdista muito engraçada, como quase tudo que Kharms escreveu, só começou a circular na Rússia em 2011, sendo publicada no Brasil em 2018, pela Kalinka. Hoje o russo de São Petersburgo é considerado um dos precursores do teatro do absurdo e de toda corrente antirrealista que passa pelos surrealistas, Ionesco, Kafka, Beckett e nossos tão geniais quanto subestimados Campos de Carvalho e Manoel Carlos Karam.


















PROPOSTA
Bem, é isso o que vai acontecer: o protagonista de sua narrativa vai encontrar um morto dentro de casa.
Mas que tipo de morto?
- Um animal
- uma pessoa muito famosa
- um peguete do Tinder
- um funcionário do prédio
- um filho
- um vizinho
- um parente
- um amigo
- um amante
- um símbolo (um retrato, um vestígio, uma lembrança)
Bom, e aí, o que ele faz com o morto? E como ele se sente em relação ao morto? Triste, desconsolado, irascível, irritado, curioso, desconcertado? Que sentimentos o morto desperta nele? Raiva, amor, nojo, melancolia, intriga, sensualidade? Conversa com o morto? Como é o morto? Como é a roupa do morto? Como é o aspecto do morto? Qual a história do morto? O morto tem alguma coisa com ele? Seu personagem mantém o morto no apartamento? Leva o morto pra fora? Consegue se livrar do morto? Alguém o vê com o morto? O morto está mesmo morto??
Em uns 8 mil toques.
