Duelo

Aleksándr Púchkin é um mito literário tão grande na Rússia que sua cidade natal foi transformada em um parque temático. O mito foi barbarizado por Dovlátov em seu hilariante Parque Cultural, em que o jornalista, desempregado, descola um trabalho como guia – e o perde, claro, graças à boca grande e ao alcoolismo. O prolífico poeta, satirista e dramaturgo romântico foi também um contista excelente, de talho naturalista, como se lê neste “O tiro”, em que descreve, aos 22 anos, os meandros da honra por trás de um duelo. Curiosamente, o fundador da literatura russa, ao desafiar a um duelo o suposto amante de sua mulher, acabaria morrendo, aos 37 anos – entrando no seleto clube de escritores cornos que foram passados nas armas, como Euclides da Cunha.

PROPOSTA

É isso o que você vai fazer: vai narrar um duelo.

Mas que tipo de duelo?

Duelos antigamente eram marcados logo após haver uma infâmia, uma desonra. O desonrado desafiava o desonrador a um duelo; a cerimônia podia usar vários tipos de armas, ter testemunhas etc.

Mas, em tempos sem nenhuma honra a zelar como os nossos, que tipo de duelo pode acontecer?

Quem seriam os seus duelistas? Descreva-os bem.

Primeiro você vai ter de narrar a circunstância em que se deu a desonra.

Depois você vai narrar o convite ao duelo.

Em seguida, vai narrar o duelo em si.

E aí vai escolher o desfecho: um morre, o outro morre, ambos morrem, um ou o outro foge, ou ambos desistem.

O que pode ser este duelo?

Uma prova esportiva, um desafio sexual, uma corrida gastronômica, um jogo de salão, um teste mental?

Escreva em qualquer pessoa, em até uns 9 mil toques.

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