Igualdade de armas

(Bruno Vicentini)



Bateram-se em duelo anteontem na corte os jornalistas drs. Germano Hosslocker, da Gazeta da Tarde, e Pardal Mallet, que faz parte da redação do A Cidade do Rio.

O local escolhido foi uma chácara no Jardim Botânico, onde às 6 e ½ se encontraram.

Foram testemunhas os srs. drs. Luiz Murat e Coelho Netto, por parte do sr. dr. Pardal Mallet, e os srs. drs. Gregório de Almeida e António Azeredo, por parte do sr. dr. Germano Hosslocker.

Achava-se no lugar o cirurgião dr. Freitas Henriques, a fim de prestar os socorros ao ferido.

O florete foi a arma aceita pelos contendores, e pelas condições estatuídas o duelo terminaria ao primeiro sangue.

Assim preparadas as cousas, os duelistas cruzaram as armas e, depois de uma luta encarniçada, foi ferido o dr. Germano Hosslocker no antebraço, sendo leve o ferimento.


Bateram-se em duelo anteontem no centro da cidade os jornalistas Cláudio Viola, d’O Diário do Norte do Paraná, e Roberto de Paula, que faz parte da redação do Gazeta de Maringá.

O local escolhido foi a mesa número zero quatro do bar Cine Bar, onde às 9 e ½ se encontraram.

Foram testemunhas os srs. Marcelo “Bulga” Bulgarelli e Reginaldo Dias, por parte do sr. Roberto de Paula, e apenas o sr. Wilson “Preto” Francisco por parte do sr. Cláudio Viola, tendo sido esse, ademais, o responsável por pagar a conta.

Achava-se no lugar o garçom Pedrinho, a fim de prestar o serviço de mesa aos presentes.

O rabo de galo foi a arma aceita pelos contendores, e pelas condições estatuídas o duelo terminaria ao primeiro vômito.

Assim preparadas as cousas, os duelistas brindaram os copos e, depois de um porre federal que incluiu cantoria, botou os tira-gostos pra fora o sr. Cláudio Viola, no pé de um ipê do passeio, sendo feroz a ressaca.


Bateram-se em duelo anteontem na Feira Literária Internacional de Maringá (FLIM) as escritoras Thays Pretti, da Editora Patuá, e Piera Schnaider, da Padê Editorial.

O local escolhido foi o Pavilhão Azul do Parque de Exposições, onde às 7 e ½ se encontraram.

Foram testemunhas diversos membros da Sociedade Rural, que por lá estiveram totalmente desavisados, sem que no entanto tivessem, as escritoras, qualquer pessoa entre eles que de alguma das duas tomasse a parte.

Achava-se no lugar o Secretário de Cultura Vitor Simião, a fim de mediar a conversa.

O enunciado ininterrupto e alternado de provocações eloquentes dirigidas à plateia foi a arma aceita pelas contendoras, e pelas condições estatuídas o duelo terminaria à primeira cusparada.

Assim preparadas as cousas, as duelistas trocaram exemplares dos próprios livros e, depois de uma conferência em tudo mais bastante discreta, foi atingida na face esquerda a escritora Thays Pretti, sendo “gostaria de fazer uma colocação” a última frase que se ouviu antes do término.


Bateram-se em duelo anteontem nos fundos do Colégio Estadual Branca da Mota Fernandes os alunos Carlinhos, do 8º ano C, e Pecado, que faz parte das fileiras do 8º ano B.

O local escolhido foi o banheiro do ginásio de esportes, onde às 11 e ½ se encontraram.

Foram testemunhas diversos garotos dos oitavos anos A, B e C, que jamais se esqueceriam da cena que viram então, muito embora fossem negar quando questionados pela Diretora.

Achava-se no lugar o garoto repetente chamado Moisés, a fim de ensinar aos mais novos a brincadeira do biscoito melado.

Uma cream cracker Marilan foi a arma aceita pelos contendores, e pelas condições estatuídas o duelo terminaria à primeira esporrada.

Assim preparadas as cousas, os duelistas abaixaram as calças e, depois de uma corrida fisiológica, foi forçado a comer a bolacha o aluno Carlinhos, sendo bolacha, e não biscoito, o termo mais usual na cidade.


Bateu-se em duelo anteontem Bruno Vicentini.

O local escolhido não foi escolhido.

Não houve testemunhas.

Achava-se no lugar uma pessoa distraída, que nada viu nem relatou.

Nenhuma arma foi aceita, sequer oferecida, e pelas condições estatuídas o duelo terminaria à primeira lágrima.

Assim preparadas as cousas, o duelista cruzou os dedos das mãos em frente à testa apertando os olhos com os polegares e, depois de qualquer coisa que se deu depois, foi ferido Bruno Vicentini, não sendo leve o ferimento.

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