Trote

“Com fatos banais e incidentes corriqueiros é possível entrever toda a transformação de uma vida passada a limpo, eis a lição de Tchecov. Em seus contos, a arte representa a vida em sua feição fragmentária, sem relações imediatas de causa e efeito, sem respostas definitivas aos conflitos e predisposta ao inesperado e ao inexplicável”, escreve Arlete Cavaliere a respeito da ficção breve do autor famoso por sempre deixar finais abertos e sugestivos para suas histórias. Como o continho abaixo, um nostálgico conto em que uma brincadeira travessa e inconsequente deixa uma marca melancólica na personalidade do brincalhão. Está em Clássicos do Conto Russo (34) e foi traduzido por Tatiana Belinky.

PROPOSTA

Muito bem, é este o desafio que parte desta história: criar um trote, uma brincadeira, uma trollada que vai ter ou não consequências inesperadas.

Um personagem vai induzir outro personagem a um engano, a um mal entendido, a uma perturbação que vai tirá-lo de seu eixo.

Onde isso acontece?

Na escola? Na firma? No clube? No condomínio? Na igreja? No hospital? No bar? No cemitério? Em casa?

Que relação têm os dois personagens entre si?

Amigos, irmãos, namorados, colegas, parentes, rivais, inimigos, vizinhos, desconhecidos?

Pense em uma situação que vá escalando – ou seja, sua história vai se dar em vários momentos do tempo.

Conte através de cenas.

Descreva bem tanto o enganado quanto o enganador.

Desfecho: o enganado vai descobrir que foi enganado e por quem foi enganado, ou nunca vai saber?

O engano vai trazer consequências ao enganador?

Você pode escolher narrar na primeira pessoa – do ponto de vista do enganado, na primeira pessoa; ou do ponto de vista do enganador; ou na terceira pessoa, usando o discurso indireto livre.

Em até 9 mil toques.

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