Tbt doce vampiro

(Angélica)

Sofri muito quando o meu relacionamento com o Sparapanni terminou, mas por pouco tempo porque logo tratei de colocar o Sebas no seu lugar. Na minha cabeça, meu amigo dos tempos de faculdade estava louco por mim e não demorei para traçar o nosso futuro, íamos nos casar e morar em Praga. Existia jeito melhor de me vingar da exposição do Gregor Sansa? Além do mais, eu precisava fugir, as perseguições já tinham começado e eu corria perigo de vida. Seria perfeito se não houvesse alguns probleminhas básicos: o Sebas era casado, nunca chegou nem perto de insinuar que queria ficar comigo e só alguém completamente maluco ia concordar em ir para a República Tcheca de uma hora para outra.

Como eu comentava os contos que ele escrevia, conversávamos sempre. Mesmo o assunto girando em torno dos textos dele, chegar nessas conclusões fenomenais foi um pulo. Hoje eu não saberia dizer se os contos eram bons ou ruins, pelo simples fato de não me lembrar de nenhum. Remexendo no meu e-mail, encontrei uma de nossas conversas por acaso, estava arquivada. Confesso que me deu um frio no estômago. Pensei em jogar na lixeira sem abrir, mas por estar escrito Vampiro no subject, resolvi espiar. Demorei uma semana para tomar coragem. Pena o conto não estar anexado.

Bom dia, Sebas

Tudo ficou melhor depois que li seu conto. Adorei, muito mesmo. Além de bem escrito, você criou um clima de suspense que me fez roer as unhas. Como sempre, vou dar algumas sugestões. Primeiro, a história podia se passar em outro lugar. Quando você diz que é a Transilvânia, fica meio óbvio que vai aparecer um vampiro. Se fosse em outra região, ia ser menos previsível. Quem sabe uma cidade antiga que tenha também uma catedral gótica ou algo assim. Pensando rapidinho, acho que Praga, o nome por si só já é sugestivo.

Se você resolver trocar, o Vlad podia dizer algumas frases em tcheco. Por exemplo, na hora em que ele ataca as mulheres nas ruas: můžu tě políbit na krk? (a pronuncia é assim: mujú tiê poibeti na kra?) Posso dar um beijo no seu pescoço? Em seguida vem a cena em que ele põe os dentes para fora. Não é uma língua fantástica? Parece complicada, mas depois de ficar um tempinho no tradutor do Google, eu estava quase falando umas frases.

Olha, o Vlademiro é um dos seus melhores personagens. Haja apetite. Genial ele escolher as vítimas pela burrice. Quanto mais burra, maior a mordida. Mas ainda bem que algumas mulheres são inteligentes, né? A passada de perna que ele levou da Lucrécia foi o máximo. Pensei em mais uma coisa para ajudar na sedução, além de colocar um vestido com um decote enorme, ela também podia usar algum perfume para deixar o Vlad doido, tipo esfregar um pedacinho de fígado cru atrás das orelhas.

Aí vem a paixão e todo mundo emburrece. Tive muita dó da Lucrécia quando ela se transformou num fiapo, apesar da descrição estar perfeita ‘um esqueleto magro perambulando pelos corredores do castelo. A pele tinha a mesma cor dos ossos e por o rosto estar tão fundo, dava a impressão de que a peruca de uma drag queen cobria seu crânio’. E as olheiras!!! Vlad morria de tesão se estivessem escuras. Sabe que as minhas não deixam nada a desejar?

Só não sei se o final tem que ser esse. A ideia do Vlad chupar o sangue dela todas as noites e depois de umas semanas a Lu morrer de uma anemia profunda é muito boa. Mas e se eles ficassem juntos? Afinal eles não queriam se apaixonar, mas… Já que a Lucrécia não virou vampira, e se de tempos em tempos ela fosse numa clínica e fizesse uma transfusão? De noite, era só fritar um bife mal-passado para ela e em seguida oferecer a jugular para o Vlad, assim os dois ficariam felizes. O todinho de sangue não ia durar para sempre, mas pelo menos por um bom tempo.

É isso. Aguardo sua resposta.

Beijo

Oi, Nina

Que bom que você curtiu. Gostei da sugestão de Praga.

O tcheco não é complicado??? É quase a língua do inferno! De olhar aquelas letrinhas com uns acentos estranhos sinto calafrios, por isso mesmo talvez funcione no conto…

Agora, você falar umas frases ha-ha, como sempre o seu senso de humor.

O fígado é legal, vou colocar lá. Obrigado pela dica.

Eles se casarem??? Daí sim vira uma história macabra. Brincadeirinha. Talvez esse final que você sugeriu dê uma certa graça, o que não é mau, ainda não sei, vou pensar.

Assim que eu fizer as modificações, mando para você.

Valeu! Outro beijo

Sebas,

Toda história de terror tem uma graça.

Sim, os dois juntos, por que não?

Pense com carinho e também com os caninos.

Pelo menos eu me divertia. O que veio a seguir foi uma história de terror de verdade. Não sei o dia que parei de falar com ele. E muito provavelmente, o Sebas não sabe o que aconteceu comigo. Às vezes me dá saudades, então eu me pergunto: saudades de quem mesmo? Todo amor platônico é alma de outro mundo.

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