
Sigismund Krzyzanowski (1887-1950) foi mais um dos gênios condenados ao ostracismo pelo realismo socialista implantado por Stálin. Ucraniano de família polonesa, foi dramaturgo, roteirista e diretor de teatro, mas não publicou quase nada em vida. Começou a ser redescoberto durante a glasnost, e hoje é chamado de Borges ucraniano. Suas histórias vagam entre o fantasioso, o fantástico e o ensaístico, sempre deixando entrever, sob uma prosa limpa, elegante e irônica, uma grande erudição. No Brasil só tem um livro de contos, O Marcador de Página (34), trad. Maria Aparecida BP Soares.










PROPOSTA
Bem, é isso o que você vai fazer: vai lidar com a perspectiva post-mortem.
Você tem duas opções.
1 – Seu conto se passa em um cemitério.
a) Se passa durante um velório e um enterro. Quem morreu? Quem conta o conto conhece o morto? Conhece as pessoas que foram render suas últimas homenagens? Como se dá o evento? Onde acontece? Como é o clima? Como são as pessoas? Dura muito tempo? É um enterro ou uma cremação? Como está o morto? Tem certeza de que ele está morto? A história termina bem ou mal?
b) Se passa em um dia qualquer. O que acontece lá? Não acontece nada? Só memórias de quem narra, ou de quem está sendo narrado? Alguma visita específica? Somente uma tarde meditativa em meio a lápides e mausoléus? Como são tais monumentos? O personagem que é centro da sua história está triste, alegre, nostálgico, irritado? Conhece alguém no cemitério? Um coveiro? Uma viúva? Um fantasma? Alguém que como ele foi passar a tarde no cemitério? O que conversam, o que fazem? O conto termina bem ou mal?
2 – Seu conto se passa com um morto que deve ser enterrado. Quem é o morto? De que morreu? Quem será o encarregado de enterrá-lo? Por que é tão difícil enterrá-lo? Quais as burocracias que cercam um enterro? O morto se recusa a ser enterrado? O morto não quer ir para o além? O morto ainda está vivo?
Narre em qualquer pessoa, em até uns 8 mil toques.
