Mais mau do que o Picapau

Vladímir Sorókin é, ao lado das Liudmilas Ulitskáia e Petruchévskaia, de Dmitri Prigov e dos Viktors Ierofiéiev e Peliévin, um dos grandes autores russos contemporâneos, e talvez aquele que levou mais longe a exploração da linguagem. Nasceu em 1955 em Bykovo, subúrbio moscovita, graduou-se como engenheiro e trabalhou na Petrobras russa. Começou como ilustrador de livros até publicar os seus, no começo dos anos 80 – fora da URSS; só publicou na Rússia depois da glasnost. Seus livros mais conhecidos são Dostoiévski-trip, também publicado no Brasil (veio em 2014 para lançá-lo na Flip), Goluboie Salo (que foi queimado em praça pública pelo MBL russo), Liod, Telluria – foi vertido para mais de 20 idiomas. Seu estilo retrofuturista aproxima formas e linguagens do russo medieval à ficção científica. O livro abaixo se passa em 2027: oprítchnik é um termo do século 16 para designar os milicianos que circulavam em torno do primeiro czar, Ivan, o Terrível. Próprio ao uso extremo da autoficção, o livro é uma apropriação de Um Dia na Vida de Ivan Dessinóvitch, em que Alexander Soljenítsin narra a jornada de um detento no gulag. Aqui, temos a jornada do carrasco, mas um carrasco divertido e até charmoso – o que o coloca ao lado dos grandes vilões da literatura, como Alex The Large de Laranja Mecânica de Burgess, o Cobrador de Rubem Fonseca e Maximilien Aue, d’As Benevolentes de Jonathan Littel. Obviamente Sorókin não conta com muita simpatia pelo regime de Putin, e vice-versa.

PROPOSTA

Bem, o que você vai fazer é muito simples. Vai contar um dia na vida de um sujeito mais mau do que o Picapau.

Sujeito ou sujeita, adulto ou criança, hétero ou gay, preto ou branco, solitário ou funcionário? Quem é seu vilão?

Não o mostre de um modo esquemático ou superficial. Faça com que pareça simpático.

Faça com que seu personagem-narrador vá mostrando aos poucos suas habilidades no campo da malvadeza. Ele tem um dever a cumprir neste dia, antes que deite a cabeça tranquilamente no seu travesseiro. Que dever é este?

Deixe para mostrar só no fim do conto o tal dever.

Vá contando aos poucos o seu dia, do despertar ao encontro com outras pessoas, outras atividades, até que finalize o que tem a fazer.

Mas como é a psicologia do seu malvado favorito?

Seu personagem sabe que o que faz é terrível? Ou ele é um alienado? Ou ele sabe que o que faz é horrível, mas é amoral? Ou segue alguma conduta que molda sua personalidade? Ou talvez seja somente um mau banal? Ou será que ele sente alguma culpa? Ou sente prazer sendo mau?

Escreva na primeira pessoa, mostrando cenas e situações, em até 10 mil toques.

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