
Gógol, além de contista e ensaísta, foi excelente dramaturgo. O Inspetor-Geral é sua peça mais famosa – e uma das peças mais montadas em todos os tempos, em qualquer país. Claro, pois é universal. É um tratado sobre a corrupção, a ambição e a vaidade, juntando a fome (a ignorância e a subserviência) com a vontade de comer (a esperteza e a falta de escrúpulos). Diz-se que Gógol se inspirou em uma anedota que lhe foi contada por Púchkin – uma história baseada em fatos reais. Uma cidade remota nos confins da Sibéria está para ser visitada por um inspetor-geral do Império Russo. A elite local fica aterrorizada, pois teme que um poder maior descubra as falcatruas que prefeito, juiz e seus asseclas cometem contra o povo. O povo, por outro lado, representado pelos comerciantes e pequenos trabalhadores independentes, quer usar a visita do inspetor para denunciar seus problemas. Só que exatamente um dia antes da visita chega à cidade um forasteiro, Ivan Aleksandrovitch Khelastov, que vive de dar pequenos golpes. Como está hospedado em um hotel com seu criado e tem maneiras mais urbanas, é confundido com o inspetor. No começo não compreende o que está acontecendo, mas assim que toma pé da situação acaba passando o rodo na cidade. Observação: em Portugal, a peça só foi montada em 1965, com o título de… O Impostor-Geral. Um bom título, se não entregasse já toda a história…






















PROPOSTA
Bem, é isso mesmo o que você vai fazer: vai contar como a visita de um forasteiro a dado lugar se cerca de mal-entendidos.
O sujeito (ou sujeita) vai ser confundido com alguém importante. A princípio não vai entender o que está acontecendo, mas logo vai perceber como se beneficiar da situação.
O lugar pode ser:
uma cidade pequena
um restaurante ou um bar
uma escola ou universidade
um condomínio
um estabelecimento comercial
uma família
um presídio
um clube
Você pode escrever na terceira pessoa, em discurso indireto livre.
Ou na primeira pessoa, do ponto de vista do impostor.
Ou ainda, se quiser, pode escrever como uma peça de teatro: só diálogos e rubricas.
Em até 10 mil toques.
