Diabo doméstico

Marina Tsvetáieva foi uma das grandes poetas russas do começo do século 20, participante do círculo de Anna AkhmátovaSofia Parnok Óssip Mandelstam (aliás namorou os dois últimos), todos pertencentes à grande geração de Maiakóvski. Começou a publicar poesia antes dos 18 anos, escrevendo também incessantemente ensaios e prosa em seus escassos 49 anos. Moscovita, mesmo filha e irmã de artistas reconhecidos e importantes, foi perseguida pelo stalinismo e impedida de publicar. Exilou-se já em 1922, voltou à URSS em 1939 e suicidou-se em 1941. O livrinho abaixo é um de seus raros exemplares de ficção, baseada em um episódio autobiográfico: na infância, conta, hospedou em seu quarto um diabo. O livrinho traz as impressões ambíguas, sensuais, sensoriais, literárias e pluriculturais da figura do diabo para Tsvetáieva. O Mycháty é dual e paródico, um medo e um segredo. Não por acaso o texto tem a epígrafe “Diabo liga com criança”, expressão russa que denota atração de diferentes – daí a figura ser chamada ambiguamente Deus-Diabo. Sob um Estado ateu, o tipo de literatura que não pegava bem…

PROPOSTA

Bem, é isso o que você vai fazer – vai contar sobre uma entidade que guardava em seu quarto durante a infância.

Diabo, fantasma, amigo imaginário, entidade, monstrinho de estimação, ser real ou fantasioso?

Não importa. Descreva-o como se realmente tivesse existido.

Seu texto vai se fundar em 3 momentos.

No primeiro, a aparição: como se deu, como era, qual era a aparência, o que aconteceu quando o diabo surgiu? Essa parte vai ter uns 2 mil toques.

No segundo momento, como foi essa convivência com o ser? Encantada, maligna, controvertida, problemática, desnorteante, fundamental para a consolidação da sua personalidade? Essa parte vai ter uns 4 mil toques.

No terceiro momento, o desfecho: o desaparecimento – ou não – do diabinho. Ele se foi, ou continua te fazendo companhia? Essa parte também vai ter uns 2 mil toques.

Escreva, claro, na primeira pessoa, lembrando-se do tempo feliz em que vc tinha um diabo debaixo da cama.

Ou então na segunda, se quiser fazer uma cartinha para o seu diabinho de estimação.

Ou então na terceira, observando pelo buraco da fechadura o que faz esta criança com um diabo no quarto.

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