Olho gordo

Iuri Oliécha, ucraniano nascido em 1899, amigo de Isaac Bábel, conheceu a fama com o romance Inveja, em que um intelectual burguês e decaído parasita a boa vida de um alto funcionário da novíssima nomenklatura soviética. Embora a princípio vejamos o intelectual como um verme invejoso e o oficial soviético um sujeito 100% bacana, aos poucos vamos percebendo que se dá o contrário: o intelectual no fundo é um defensor da liberdade de opinião enquanto o ministro não passa de um idiota que pensa como qualquer um no novo regime. O livro, de estilo vivaz e divertido e frases curtas cheias de metáforas criativas, foi saudade como a vitória do novo (o funcionário) sobre o velho (o intelectual), mas aos poucos a sua ironia cheia de ambiguidade foi demonstrando que Oliécha – apesar de ter combatido no Exército Vermelho – era um profundo crítico do realismo socialista. No entanto, para sobreviver, acabou destruindo seu estilo original, para se adequar às normas, e nunca mais escreveu nada que preste. Não foi exilado nem morto por Stálin – mas perdeu sua verve. Talvez o pior destino para um escritor.

PROPOSTA

Bem, é isso o que você vai fazer: vai mostrar um duelo entre dois personagens muito antagônicos. Um inveja o outro, mas no fundo, aos poucos, vamos notando que o sujeito invejado é mais desprezível do que o sujeito que o inveja.

Em outras palavras, você vai trabalhar em cima da construção de dois personagens.

Como vai fazer isso? Bem, colocando os dois para viver juntos:

  • como marido e mulher;, ou marido e marido, ou mulher e mulher;
  • como dois padres ou duas freiras;
  • como estudantes numa escola;
  • como professores em uma universidade;
  • como políticos em um mesmo partido;
  • como presos na mesma cela;
  • como bandidos no mesmo golpe;
  • como dois atletas no mesmo time;
  • como médico e paciente;
  • como vizinhos de porta;
  • como dois pets do mesmo dono.

Como contar esta história?

Divida o seu conto em 3 momentos.

No primeiro, aparece um objeto que é cobiçado pelos dois.

No segundo momento, um dos dois consegue o tal objeto.

No terceiro momento, o objeto é perdido.

Cada momento deverá ser mostrado através de uma cena bastante exata, cheia de diálogos.

Você pode narrar na primeira pessoa (do ponto de vista ou do invejado ou do invejador) ou na segunda pessoa (o invejador se dirige ao invejado) ou na terceira pessoa (discurso indireto livre).

Em uns 9 mil toques.

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