
Varlam Chalámov, ao lado de Aleksandr Soljenítsin (Arquipélago Gulag), é um dos grandes narradores dos campos de concentração da era stalinista. Aliás, ambos os livros fazem parte deste verdadeiro subgênero da literatura russa, a literatura presidiária, de que também fazem parte os clássicos Recordações da Casa dos Mortos, de Dostoiévski, e A Ilha de Sacalina, de Tchécov. (Um subgênero mundial, ao lado de livros como Fábrica de Animais, de Edward Bunker, Memórias de um Sobrevivente, de Luiz Mendes, e Estação Carandiru, de Drauzio Varela). Os Contos de Kolimá impressionam por sua crueza e proximidade com outro clássico do gênero – É Isto Um Homem?, de Primo Levi -, ao narrar o verdadeiro holocausto que se abateu sobre milhões de pessoas. Perfazem mais de 2 mil páginas, descrevendo os mais de 17 anos que ele passou como detento, acusado de escrever críticas ao regime soviético. Nunca foram editados em solo russo, a não ser em samizdats: só foram publicados depois da glasnost.















































PROPOSTA
Bem, é isso o que você vai fazer. Vai contar uma história sobre uma pessoa que se separou de algum pedaço de seu corpo.
O formato do seu texto será o de uma carta dirigida a tal pedaço de você, ou melhor, do narrador.
Que pedaço? Que parte foi tirada do corpo do narrador? Como foi tirada? O narrador sobrevive mal ou bem a esta separação? Como foi o momento da separação? Quanto tempo levou o narrador para superar esta separação? A parte separada ainda se comunica ou sobrevive à ausência do corpo, como os rabos de lagartixas e as galinhas degoladas? Trata-se de um trauma ou de uma superação? Dói ainda?
(Você também pode optar por escrever uma carta do ponto de vista da parte que foi separada, endereçando-se ao resto do corpo, ou às outras partes do corpo.)
Use cenas, use diálogos, descreva objetivamente tudo o que acontece.
Narre na primeira ou na segunda pessoa, em uns 5 mil toques.
