Um estranho casal

Margarita García Robayo é uma jovem escritora colombiana que mora em Buenos Aires. Em seu livro de contos Cosas Peores, fala de personagens desajustados que nunca parecem se sentir à vontade onde estão. Traduzi o conto abaixo:

*

O que nunca fomos

Quando Salvador pediu Eilín em namoro, ela disse não. Que namorados o quê, nada de relacionamentos, a ela interessava colocar em questão alguns paradigmas. E como tudo o que queria Salvador era transar com ela, resolveu não contradizê-la.

Eilín era magra e miúda, tinha o cabelo vermelho e, segundo ela, ascendência irlandesa. Salvador era super alto e ela não gostava disso; portanto o zoava um pouco quando caminhavam lado a lado. A noite que começaram a sair, Eilín levou Salvador a seu apartamento para que vissem um filme inspirador. Já era madrugada. Ele pensou que ela colocaria um pornô, mas ela colocou foi O Terceiro Homem. De vez em quando o pai de Eilín aparecia no quarto onde estava a TV. Usava uns pijamões e segurava uma taça: “Baita filme”, dizia.

O sexo rolava no apartamento que Salvador dividia com o amigo Matías.

A primeira coisa que Eilín lhe pediu foi que lesse em voz alta enquanto ela o chupava.

— Não vou conseguir me concentrar nas duas coisas — ele disse, e Eilín respondeu que ele só tinha que se concentrar na leitura, da outra coisa ela se encarregava. Assim fizeram: ele lia em voz alta e ela fazia sua parte. Salvador lia poemas ou fragmentos de romances que Eilín escolhia; ou lia ensaios super compridos que Eilín tinha escrito para a faculdade e que, no começo, lhe davam dor de cabeça. No começo ela não parava, era frustrante. Mas Eilín persistiu tanto que ele acabou se acostumando e chegou até a gostar.

Com três meses de relacionamento, Eilín começou a levar o dinheiro que ele deixava na mesinha de cabeceira. A soma variava toda vez, e o mecanismo mediante o qual o dinheiro passava da mesinha para sua carteira era tão natural como se abrisse a geladeira e tomasse água. Salvador não dizia nada; não sabia o que dizer. Não lhe parecia justo, a ele não sobrava quase nada. Um dia, enquanto passeava por uma praça — ela falava de uma ilha no Pacífico que estava afundando e se mostrava preocupada porque agora iam ter que realocar todos os habitantes em diferentes cidades do mundo onde com certeza seriam rejeitados — , Salvador perguntou:

— Você tá me cobrando pelo sexo?

E Eilín se matou de rir. Agarrou a mão dele e o levou a um banco onde se sentaram:

— Se você e eu fôssemos outra coisa que não somos, eu pegar a grana da sua mesinha de cabeceira poderia significar que estamos celebrando uma transação comercial. Mas pra gente não funciona assim, né?

Salvador negou com a cabeça, mesmo sem entender direito.

— Pra gente as regras são outras, Salvador.

— Saquei.

— A grana tá ali, na mesinha de cabeceira, como a comida da despensa e os livros na biblioteca, e a mim me compraz saber que, ao menos em nosso diminuto espaço pessoal, as relações se regem pelos princípios da decência que você e eu dividimos.

— Beleza.

— Além do mais, não é que eu leve tudo o que tem na mesinha de cabeceira. Só pego estritamente o que eu preciso, do mesmo jeito que você pega o que precisa de mim.

Sorriu, se levantou do banco e continuou o papo da ilha.

*

— Por que não bota um final qualquer e pronto? — perguntou Salvador.

Eilín estava escrevendo uma peça de teatro que não conseguia terminar. Levava meses pensando o fim. Estava irascível, nervosa, fumava sem parar. Transavam pouco.

— Amor? — insistiu Salvador.

Eilín tinha se fundido em um silêncio esquisito que dava um aspecto perturbador.

— Me deixa, estou pensando.

Estava nua, jogada na cama de ponta cabeça: Eilín tinha seios tão pequenos que quando se deitava eles sumiam. Salvador estava apoiado contra o espaldar. Os lençóis estavam úmidos de suor, o ar quente parecia encapsulado ali dentro.

— Mas é que se você escreve mais ainda, ninguém vai ler, ninguém gosta de coisas compridas.

— Eu leio coisas muito mais compridas.

Eilín se levantou de um pulo e saiu do quarto. Seu corpinho tinha a agilidade de um coelho. Já não tinha o cabelo vermelho nem ascendência irlandesa. Tingiu de preto azeviche e agora parecia qualquer garota da universidade. Quando apareceu com o cabelo preto, Salvador se decepcionou um pouco: o cabelo vermelho era o que mais gostava nela; e a boca, que era enorme e parecia um pouco desproporcional dentro da cara. E o sexo, claro. Eilín era o melhor sexo que ele já teve.

Salvador colocou uma bermuda e foi atrás dela. Devia estr na sala. Matías tinha se mudado fazia um mês porque Eilín passava muito tempo no apartamento e ele não a suportava. “Ela ou eu?”, perguntou. Salvador deu de ombros, olhou pro chão: assim soube que estava apaixonado.

Encontrou-a na mesa da cozinha bolando um desses cigarros que iam soltando tabaco por todo lado: se metiam na comida, na água, no café.

— Acho que vai ser uma obra muda — disse Eilín.

— Muda?

— Sim, ninguém vai falar nada; talvez nem sequer tenha atores. Será um cenário vazio, um roteiro em branco.

Salvador suspirou. Sentia falta de Matías; era sábado, podiam ficar tomando umas cervejas, jogando cartas, em silêncio. Eilín acendeu o cigarro e caminhou até a varanda. Ele a seguiu mas parou na entrada da varanda. A vista era um estacionamento vazio e, mais além, um muro cinza. Ao lado havia outra varanda e um cara tomando cerveja numa cadeira.

— Oi, Eilín — o cara deu um salve.

— Oi, Ricardo.

Eilín continuava nua.

No tempo que estavam vivendo ali, Salvador nunca tinha falado com nenhum vizinho. Tinha cruzado as escadas com alguns; tinha tocado a campainha do apartamento de baixo pra lhes pedir que abaixassem o som; mas nunca lhe abriram a porta. Assim, não sabia quem era Ricardo, nem ninguém. Eilín conhecia a todos perfeitamente.

*

Eilín achava a ejaculação algo tão íntimo que não deveria ser desperdiçado, disse pra ele. E lhe sugeriu que, de agora em diante, esperasse que ela saísse de casa para ele se masturbar.

— Mas eu gosto mais quando você é que faz, porque…

— Shh — colocou-lhe um dedo nos lábios. — Tem que aprender, Salvador.

Por que dizia isso? Salvador não entendia; um tempo antes Eilín tinha chegado cantando, falando da sua peça: “Vai ser o próximo David Mamet”. Tirou o vestido pela cabeça e jogou no chão; não usava calcinha nem sutiã. Amarrou o cabelo com uma fivela. Se jogou rápida na cama onde Salvador lia uns xerox e disse pra que ele olhasse para ela. Se meteu no meio de suas pernas e o chupou como nunca e ele sequer teve que recitar nada.

Daí a surpresa de Salvador quando lhe disse o que lhe disse. E assim mesmo se levantou da cama e foi falando do seu roteiro. Salvador não se mexeu; seguia os seus movimentos pelo apê. Eram ruídos mínimos. O vestido que caía sobre seu corpo; uma batida e outra no chão; tac-tac-tac; a porta da geladeira que se abria; um trago de água ou talvez de Coca-Cola que gargarejava pela goela; e tac-tac-tac; as notas saindo da mesinha para a carteira; as mãos ossudas arrumando o vestido; as chaves.

— Tchau, meu amor.

Salvador levantou a mão, fraquinho:

— Tchau.

*

Eilín ficou famosa na universidade e deu uma conferência sobre sua obra teatral. Um estudante de jornalismo perguntou se sua peça era fatalista.

— Por que diz isso?

— Porque todos morrem.

— Que simplório você.

Salvador estava na plateia e se sentia incomodado. Todos falavam maravilhas da obra de Eilín, quando na realidade não tinham lido obra nenhuma: era um grupo de atores que entrava no palco, se jogavam uns sobre os outros e baixava-se a cortina. E se abria e voltavam a fazer exatamente o mesmo, e assim várias vezes. Ninguém dizia nada nunca.

— … o que quero dizer — o estudante de jornalismo continuava com sua longa pergunta — é que o feito da civilização se repete a mesmo ao longo do curso da História, seus acertos e seus fracassos em um círculo vicioso; é um jeito de condenar a humanidade à ideia de um destino unívoco, que conduziria as pessoas ao mesmo resultado trágico, de novo e de novo…

Talvez fosse um estudante de filosofia, pensou Salvador e se acomodou em sua cadeira. Estava incomodado, meio torto.

— Pode ser mais direto? — perguntou Eilín, cruzando e descruzando as pernas, olhando o estudante como se quisesse lhe saltar em cima e lamber sua cara.

— Claro, a minha pergunta é se sua peça postula que ninguém se salva de seu destino, e que esse destino é, e será sempre, o mesmo destino trágico.

Houve um murmúrio de aprovação. Salvador tossiu, olhou o relógio. Tinha passado uma hora e meia desde que começou a conferência. Tinha fome. Eilín respondeu:

— Minha obra não postula nada, mas se o fizesse, postularia algo que Nietzsche já teria deixado de postular.

Risadas na plateia, gargalhadas. Gente que cagava de rir e batia nas próprias pernas. Salvador não entendia nada: se agarrou forte nos braços de sua cadeira e apertou as mandíbulas. O estudante fez uma reverência, levantou os braços e deixou cair um gesto de impotência. Negou várias vezes com a cabeça e se sentou.

Quando terminou a conferência fora para o café, mas todo mundo rodeava Eilín e Salvador teve que se afastar. Pediu um refri e duas empanadas e a observou de um canto: Eilín tinha colocado um vestido que ele lhe dera. Era azul, como seu novo cabelo. O vestido ficava um pouco grande e o cabelo parecia um tapete velho. Salvador comeu as empanadas em dois bocados e pediu outra. Eilín o observava da mesa onde estava com seus fãs e o saudava com a mão. Iria deixá-lo, estava na cara. Terminou a terceira empanada, limpou as mãos na calça e já ia saindo quando ouviu a voz de Eilín.

— Me espera. — Veio correndo, sentou em seu colo em um pulo. — Me tira daqui, vamos tomar alguma coisa.

Foram a um bar. Estava um clima agradável e se sentaram fora, no terraço. Eilín estava risonha e divertida; ia para a quarta cerveja.

— E o que foi aquela pergunta na conferência? — disse Salvador.

— Qual pergunta?

— Daquele cara… meio besta, né?

— Você achou?

Salvador deu de ombros. Terminou a cerveja. Pediu um cigarro ao garçom.

— Minha resposta foi boba — disse Eilín -, mas a pergunta não.

— Mas todos gostaram da sua resposta, riram, aplaudiram.

— Ninguém entendeu. Riram porque pensaram que era uma brincadeira; não era nenhuma brincadeira, mas eu disse de um jeito que pareceu. E as pessoas confundem.

— Saquei.

Salvador pensou pra que caralhos se faz uma brincadeira que não é uma brincadeira. Terminou a cerveja, não pediu outra porque já não tinha quase dinheiro, e certeza que Eilín não colaboraria. Quis ir pra casa. Quis que Eilín tirasse esse vestido horrível. Pela primeira vez sentiu vontade de terminar com ela, mas não sabia como fazer. Era melhor que ela fizesse.

— Tá puto?

Salvador deu de ombros.

— Quer que eu te explique o que dizia Nietzsche?

— Na verdade não.

— Não é nada de outro mundo. Nem sequer sei por que o cara mencionou isso, se relaciona pouco com a peça.

Salvador massageou o peito.

— … e não é uma ideia do Nietzsche, ele a roubou dos estoicos.

— Saquei.

— Em todo caso, o mundo se repete, se extingue e volta a se reconstituir, pra que os mesmos atos ocorram outra vez, sem nenhuma variação.

— Absurdo.

— Não, é um ciclo. Simples. É como falar do dia e da noite, a lua e o sol, as estações…

Agora parecia irritada.

— Saquei.

Eilín tomou sua cerveja, abriu e fechou os olhos lentamente e pegou sua mão:

— E Nietzsche disse que não só os atos se repetem, mas também os sentimentos. — Ele sentiu o ardor na boca do estômago, era a cerveja. Ou o cigarro. — Ou seja, que se o mundo se acabasse hoje, amanhã eu e você voltaríamos a nos apaixonar.

Salvador sentiu vontade de arrotar, mas se conteve.

*

Eilín estava enrolada em um macacão de Salvador que nela parecia um saco de dormir. Salvador não tinha frio, mas fechou a porta da varanda para que ela ficasse confortável. Depois começou a preparar uma sopa de cebola.

— Faz uns dia que não vejo o Ricardo — disse Eilín, que estava no sofá da sala, deitada.

— Quem? — Salvador punha pedacinhos de torradas dentro da sopa.

— Ricardo, o vizinho.

— Talvez tenha morrido — disse Salvador, rindo. Eilín não riu. Matías teria rido.

Serviu dois pratos de sopa e os levou à mesa. Comeram e no fim Eilín recostou a cabeça na mesa, respirou fundo e fechou os olhos. Salvador levou os pratos para a cozinha.

— Quanto tempo passou? — perguntou Eilín. Ele se voltou e a encarou.

— Desde quando?

— Desde que eu dormi.

— Quando você dormiu?

Salvador voltou à mesa com uma maçã e uma faca.

— Que acontece com as pessoas quando passam muito tempo juntas? — disse Eilín, olhando para ele.

Salvador levantou os ombros e torceu os lábios:

— Hum.

— Se decepcionam — disse Eilín. — À medida que uma pessoa conhece outra, a decepção é inevitável.

— Será? — Salvador pelava a maçã porque não gostava da casca.

— Existem muitas maneiras de se fazer de cego, mas um dia a gente tem que enfrentar a realidade, e a realidade é sempre decepcionante.

Salvador meteu um pedaço de maçã na boca e disse:

— Que dia será esse?

— Não sei, vai ser diferente pra cada um. Acho que no teu caso vai ser o dia em que você se levantar da cama e não entender como foi que uma ervilha ressecada chegou aí — Salvador riu. Eilín não. — …inclusive, teu próprio corpo vai sofrer um processo acelerado de destruição e você vai acabar um macaco flácido e molenga, como com certeza vai te acontecer algum dia, o outro corpo sempre te parecerá pior, porque a repulsão do próprio corpo é mais tolerável do que a do corpo de outro.

Salvador já não ria: tinha se chateado. E tinha engasgado com um pedaço de maçã na garganta. Engoliu e passou, mas continuou doendo. Deu uns dois tapões no peito, pra que terminasse de descer.

— Eu nunca vou me decepcionar com você — disse. Tentava assim que mudassem de assunto.

— Ah, mas claro que vai — disse Eilín — , e eu com você.

Se levantou da mesa, disse que ia fumar. Salvador continuou com sua maçã pensando que agora ela o deixaria. Não tinha como mudar aquilo. Era melhor assim. Eilín era esquisita, Matías tinha razão.

— … as pessoas insignificantes demoram mais em se decepcionar porque têm a vocação pra esperar — Eilín vinha fumando, seu cabelo azul despenteado parecia feito de algodão-doce. — Passam uma boa parte de sua vida medíocre com a esperança de que em alguma hora alguma coisa maravilhosa vai acontecer, alguma coisa que vai mudar a sua vida. Mas no fim também se decepcionam.

Estava exaltada, falava num volume que Salvador teria querido moderar com um mero meneio de cabeça. Ele terminou seu último pedaço de maçã mastigando bem devagar, contando cada mordida, concentrado no som que produziam seus dentes. Então Eilín se sentou nas pernas dele e envolveu seu pescoço:

— No fim todo mundo se decepciona. Todo mundo, quanto mais a gente se conhece — e o beijou. E ele se sentiu aliviado.

*

— Não entendo, Salvador. A gente tinha um acordo que era muito conveniente, principalmente pra você. Não acredito que seja justo nem decente, mas acima de tudo não acredito que seja lógico que você me diga que não quer me ver mais. Você sequer me dá um motivo. Não tem um?

E Salvador não respondia. Tinha entendido que quando Eilín fazia essas perguntas nunca eram pra ele. Estavam na calçada em frente à portaria do prédio. Fazia frio. Tinha bebido alguns goles de rum pra poder lhe dizer o que tinha dito.

— E por que tinha que ter um motivo? — Eilín andava pra lá e pra cá e ele a olhava sentado no meio-fio. — Se o acordo consistia que nosso relacionamento estava construído sobre a base de que não existia relacionamento, para que ninguém pudesse impor ao outro as características do vínculo…

— Que vínculo?

— Isso estava claro, né?

— O quê?

Se Matías estivesse ali, poderia lhe perguntar se compreendia alguma coisa. Pelo menos, olhando as coisas de fora, ele poderia entender. Pareceu a Salvador que haviam se passado séculos desde a última vez que viu Matías.

— É que, se a gente pudesse consultar alguém neutro, confiável, sobre nosso caso…

— É o que eu est… — tentou dizer Salvador.

— Alguém como, como quem? — parou Eilín, colocou as mãos na cintura e encarou o chão.

— Como Matías.

— Como Mikhail Bakunin, por exemplo — e Eilín recomeçou a caminhar. — O homem escolheria rejeitar este caso por estar contaminado por erros elementares. E é que, Salvador — ela voltou a olhar para ele –, teu problema é discursivo: sempre para na primeira proposta. Por exemplo: “Não quero continuar assim”. Mas depois você não apresenta um argumento convincente, e assim não dá pra conversar, nem discutir, muito menos terminar com esse “assim” que não existe. — Se aproximou, cruzou os braços diante dele. — Não pode fingir que deixemos de ser o que nunca fomos.

Salvador se levantou do meio-fio, deu um passo à frente e a segurou pelos ombros; sustentou seu olhar brilhante, olhou sua boca entreaberta e suspirou fundo:

— Eilín — disse — , não te entendo.

— O que você não entende?

— Nada do que você fala.

Eilín se afastou:

— Não entende que a destruição da não-condição acabaria sendo a condição! — gritou.

Salvador queria agarrá-la para que se acalmasse, mas ela se esquivava. Salvador queria agarrá-la pela nuca e enfiar sua cara na calçada, muitas vezes.

— Preciso que você me explique — disse Eilín, a respiração agitada. Tinha os olhos borrados pela maquiagem. Quando tinha chorado? — Me explica — , insistiu.

Salvador sentia uma dor de cabeça. Fechou as mãos e aspirou o ar gelado da noite, que em seu nariz pareceu como amoníaco. Se perguntou o que faziam ali fora com esse clima. Voltou a respirar fundo e sentiu uma pontada forte na testa.

— Tá frio — disse.

E Eilín mandou um tapão que ele não teve tempo de se esquivar. Mesmo com a mão pequena, o golpe foi seco e dolorido, mas o ar gelado o anestesiou logo em seguida. Savaldor deu meia volta e entrou no prédio. Por trás do vidro da porta viu o corpo mínimo de Eilín: sua graciosa cabecinha azul sacudindo-se confusa, como que querendo escapar da nuvem espessa que flutuava sobre ela.

*

PROPOSTA

O que você vai fazer é isso: contar uma história de amor e desencontro entre dois personagens muito diferentes. A história começa bem, mas vai ficando cada vez mais estranha. Um dos dois é bastante convencional, e o outro, bastante excêntrico. O estranhamento vai pouco a pouco minando a relação até que…

  • Eles se separam;
  • Um foge do outro;
  • Um se transforma no outro;
  • Eles se casam.

Escreva na terceira pessoa, usando cenas e diálogos, em quantos toques conseguir.

PROPOSTA

O que você vai fazer é isso: contar uma história de amor e desencontro entre dois personagens muito diferentes. A história começa bem, mas vai ficando cada vez mais estranha. Um dos dois é bastante convencional, e o outro, bastante excêntrico. O estranhamento vai pouco a pouco minando a relação até que…

  • Eles se separam;
  • Um foge do outro;
  • Um se transforma no outro;
  • Eles se casam.

Escreva na terceira pessoa, usando cenas e diálogos, em quantos toques conseguir.

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