Lembranças da infância

Ivan Klíma forma com Franz Kafka e Milan Kundera a santíssima trindade da literatura tcheca. Viveu em campo de concentração quando criança, ao lado dos pais judeus; quando os alemães saíram, foram substituídos pelos soviéticos. A obra de Klíma versa sobre a passagem de um totalitarismo a outro, e sua imensa vontade de viver mesmo sob as piores condições, sem perder o humor, a ternura, o lirismo e a paixão pela literatura (Kafka é uma espécie de Virgílio em sua travessia pelo inferno dos campos de concentração, do exílio e do desprezo por sua condição de escritor judeu). O romance Amor e Lixo é uma autoficção meio inventada: Klíma narra na primeira pessoa as desventuras de um escritor é obrigado pelo regime comunista a trabalhar como gari. No entanto, é na varrição que encontra tema para reflexões (em geral sobre Kafka e a política) e o amor de sua vida. E o livro se torna a história de um conflito de um homem dividido entre a lealdade à sua esposa bióloga, a quem já não ama mas com quem passou momentos terríveis, e a uma vulcânica artista, que também é casada e quer que ele se junte a ele. No entanto, o medo de perder a felicidade faz com que este homem não se decida nunca. No trecho abaixo vamos ver como surge o seu medo de perder as coisas pelas quais tem amor irrestrito – um medo que o irá acompanhar sempre, paradoxalmente ao lado de uma teimosa e irresistível vontade de viver.

PROPOSTA

Bem, é isso o que você vai fazer, se conseguir: buscar uma reminiscência de sua infância para tratar do tema da perda.

Busque fazer, como Klíma, que a narrativa circule ao redor de uma cena concreta e luminosa, como a cena da xícara quebrada.

Não é preciso se basear em fatos reais – se você quiser, pode mentir (ninguém ficará sabendo).

Não é preciso fazer algo triste, basta buscar uma lembrança.

Também não é preciso voltar ao tempo presente: a narrativa pode ficar lá no passado.

E não é necessário ainda se alongar – uns 4 mil toques já está ótimo.

Na primeira pessoa, claro.

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