Efeito Borboleta

Augusto Monterroso é o famoso inventor daquele microconto mais famoso do mundo, vocês sabem qual. Tem publicada no Brasil uma seleta de ficções breves chamada A Ovelha Negra e Outras Fábulas, traduzida por Millôr Fernandes (Cosac Naify). Acabou de sair pela Mundaréu o seu Obras Completas e Outros Contos – que, ao contrário do que o título diz, é o primeiro livro de Monterroso, quando ele havia acabado de trocar sua Guatemala natal pelo México. Mestre da concisão, neste livro ainda brinca ironicamente com a linguagem empolada dos relatórios acadêmicos; sua escrita ficaria paulatinamente cada vez mais direta e simples, mas já é esboçada no famoso microconto, que está no livro de estreia. Monterroso também não transita pelo realismo social, marca forte da literatura latino-americana; prefere os descaminhos do realismo fantástico, do mágico, do absurdo e do nonsense. O conto a seguir, baseado e num episódio surreal (mas que poderia ter acontecido), mesmo que transite pelo absurdismo, no fundo se trata de uma implacável crítica ao colonialismo – na verdade, uma vingança contra o colonialismo. Este tema será retomado ao longo de toda a obra de Monterroso, bem como o seu apego ao paradoxo como estruturante de uma narrativa. Basta lembrar da sua fábula das plantas carnívoras (n’A Ovelha Negra) que, por considerarem imoral comer carne, se tornam vegetarianas, portanto canibais – e daí todas morrem.

PROPOSTA

Bem, é isso o que você vai fazer: vai pegar uma situação inusitada, qualquer, e fazê-la escalar até chegar a um resultado inesperado.

O famoso Efeito Borboleta, descoberto pelo metereologista estadunidense Edward Lorenz, uma das bases da teoria do caos, supõe-se que o vento que causa o bater de asas de uma borboleta no Amazonas pode ocasionar um tornado no Texas. Ou seja: variações muito pequenas podem parecer insignificantes, mas gerarão enormes mudanças ao longo do tempo, provocando uma sensação de caos.

A ideia é você pegar um evento muito simples, meio banal, porém inusitado, e brincar com suas possibilidades de modo a chegar em um resultado totalmente surpreendente para quem começou a ler seu texto. Quem diria que aquilo deu nisso?, se perguntará seu leitor.

A ideia aqui é trabalhar a contação, então não precisa se preocupar muito com criação de personagens, cenas, diálogos e descrições.  

Escreva em quantos caracteres conseguir, e em qualquer pessoa.

Deixe um comentário