Máscaras sociais

O primeiro livro de Rubem Fonseca, Os Prisioneiros, em 1963, abre com este conto ambientado no carnaval carioca. “Fevereiro ou março” apresenta uma narrativa intensa e tensa, que explora temas como o medo, a violência e a incerteza . A história é contada em primeira pessoa por um narrador anônimo e se concentra em um personagem solitário e desesperado que busca refúgio num hotel após ser perseguido por homens desconhecidos. O conto é caracterizado por sua linguagem áspera e realista, que captura a urgência e a angústia dos personagens. A descrição precisa e detalhada do ambiente, juntamente com a narrativa intercalada de flashbacks, aumenta a tensão e a sensação de incerteza do narrador. Ao longo da narrativa, o leitor é convidado a questionar a sanidade do narrador e a verdade de sua história, o que contribui para a atmosfera de mistério e desespero que envolve a obra. Além disso, a falta de resolução e a ambiguidade do final reforçam a sensação de incerteza e impotência do narrador e do leitor.

PROPOSTA

Algumas coisas o ChatGPT não notou em sua acurada análise acima. O conto é narrado por um um marombeiro vulgar que gosta de bater em outros homens para se divertir. Um lúmpen que vive de vender o próprio sangue e outros biscates. Solitário, faz sexo com quem quer se aproveitar de seu corpo; não parece guiar sua própria narrativa, é mais guiado pelos acontecimentos externos. Também não parece perceber as ambiguidades e complexidades do mundo à sua volta. É um bronco direto e objetivo, aparentemente sem nenhuma subjetividade: um escravo do próprio corpo.

Em contraste, recebe as atenções de certa condessa, madame que curte transar com marombeiros anônimos durante o carnaval – o marido parece não ligar, e tenta até mesmo dar uma força pro marombeiro, que, movido por algum senso de ética estranho, rejeita a ajuda. O conto se passa em alguns dias, sem muito detalhismo cronológico (daí o título indefinido). A atração entre pessoas de classes sociais diferentes – possível somente durante o carnaval, como em uma suspensão das convenções – é o cerne do conto e também o centro da ficção de RF, que passou a vida escrevendo sobre as atrações e confrontos entre morro e asfalto. È como se só a lei do desejo possibilitasse pessoas de origens diversas rasgarem a fantasia e deixarem cair suas máscaras.

Então é isso o que você vai contar: uma outra história de carnaval.

Você vai aproveitar um dos dois personagens que já usou no conto da proposta da semana passada.

Só que nesta nova proposta esse personagem vai se encontrar com um terceiro personagem que é alguém totalmente diferente.

Este outro personagem vem de uma camada social muito diversa da dele.

Este outro personagem lhe abre um mundo muito diverso.

O seu conto vai acontecer justamente durante esse encontro, que pode se tornar uma atração ou um confronto.

Narre na primeira pessoa, em uns 8 mil toques.

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