A noite antes de partir

Emmanuel Carrère é um dos principais autores franceses contemporâneos. Dono de um estilo inconfundível, em que frases longas e fluidas são atravessadas por citações de livros e outras histórias, pela autoironia e pela melancolia, acaba de lançar Ioga (Alfaguara). Neste romance, Carrère, que também é jornalista, documentarista e cineasta, entrelaça ficção e não-ficção, como já havia feito em livros como Eu Estou Vivo e Vocês Estão Mortos (Aleph), a biografia de Philip K. Dick, ou os romances Outras Vidas Que Não a Minha, em que reconta o tsnuami que devastou a Indonésia em 2004, e Limonov, talvez sua obra-prima, bio romanceada do mais bizarro escritor e político russo. Em Ioga, ele comete um autêntico exemplar de autoficção, contando sua experiência de 30 anos como praticante de meditação transcendental, ioga e tai-chi-chuan. Apesar do tema, o livro está longe de ser chato e egocêntrico, porque Carrère trabalha o que a crítica Diana Klinger, em seu Escritas de Si, Escritas do Outro, chama de virada etnográfica: o narrador na primeira pessoa que genuinamente se interessa pelos outros e não fica o tempo todo falando no seu umbigo (coisa que a escritora Rachel Cusk também faz).

Sem dar spoilers, aparecem aqui sua experiência num vipássana, interrompida por causa de um ataque terrorista; sua internação em uma clínica psiquiátrica, após um colapso nervoso; e sua estadia na ilha de Leros, quando conhece uma oficina de escrita criativa para jovens refugiados afegãos, sírios, libaneses e africanos que chegaram à Grécia em balsas precárias, como os adolescentes Hassan, Atiq e Mohammed. É deste trecho que tirei uma proposta. Depois, tem um capítulo em que ele reconta um memorável conto de George Langelaan. E por fim, o desfecho da história de Hassan.

PROPOSTA

O que você vai fazer é exatamente a proposta da Frederica: glosar o mote A Noite Antes de Partir.

Quem parte? Você, alguém que você conhece ou algum personagem?

De onde parte? Para que parte?

Quem narra? O personagem, um narrador onisciente, um narrador indireto livre, ou você mesmo?

Essa viagem foi feita há pouco tempo ou foi feita há muito tempo?

Você vai escolher narrar no presente ou no passado?

O tom é de expectativa, esperança, melancolia, alívio, euforia, entrega, pressa, loucura, urgência, desespero?

preparativos tranquilos antes da partida ou ela é atravessada por problemas e imprevistos?

O personagem está ou acompanhado? Se acompanhado, quem o ajuda a organizar a partida?

O personagem partirá só ou acompanhado? Se acompanhado, quem vai com ele?

Você vai começar a contar do ponto em que o personagem está se arrumando para sair até o momento em que efetivamente deixa o lugar em que está.

Use, de preferência, uma ou duas locações no máximo.

Explore detalhes materiais, físicos, concretos, do lugar e das coisas que o personagem está deixando.

Explore detalhes materiais das coisas que o personagem pode vir a encontrar no lugar para onde está indo.

Em até 9 mil toques.

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