Velha e puta da vida

Já que Rita Lee morreu hoje, lembremos de sua alma gêmea na literatura. Falem mal ou falem bem, não importa – Hilda Hilst é a maior autora em língua portuguesa de todos os tempos. A única que foi genial em todos os gêneros: o romance, o conto, o teatro, a poesia. E também na crônica, como se lê em Cascos & Carícias (Nova Fronteira), sua reunião de textos publicados no jornal Correio Popular de Campinas, onde escreveu dos 63 até os 73 anos, quando morreu, com 2 anos a menos que Rita (e muito menos cocaína no pulmão).

Se você se julga velho e acabado aos 30, HH também sentia o mesmo aos 64 – mas note a fúria com que esta mulher investe contra a carne, o tempo e o verbo: é como receber uma injeção de adrenalina no peito, um choque elétrico na testa ou, hilstianamente falando, um pula-pirata bem dado (ou dedada, como se diz no sertão).

PROPOSTA

Bom, é isso o que você vai fazer: imaginar-se velho(a). Só que um(a) velho(a) puto(a) da vida.

Velho, velho mesmo, só que revoltado, tanto com o corpo quanto com o que está ao redor.

Não estou falando de velho ranzinza, isso é fácil.

Pense em um velho muito louco, que guardou pro final da vida sua fúria.

Que tipo de velho vai ser? Como será sua rotina, sua vidinha, sua vidona, seus haveres, seus afazeres? Como será o mundo então, quando esse velho chegar lá? Vai envelhecer bem ou envelhecer mal? Amado ou odiado, doente ou saudável, solitário ou cercado de netos, carnívoro ou vegano, bêbado ou sóbrio, ativo ou ressentido, religioso ou devasso, reacionário ou revolucionário, tocando o terror ou tocando o foda-se, cagando pra tudo ou todo cagado?

Um dia, esse velho ou essa velha vai topar com alguma coisa que vai despertar essa fúria. Como vai ser esse dia?

Descreva, da manhã à noite, um dia nessa sua futura vida de múmia, em até 9 mil toques.

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