
Annie Ernaux não mente nunca. Ou pelo menos ela dá a entender que não mente. A gente acredita. Seu novo livro, O Jovem, de 2002 (Fósforo, trad. Marília Garcia), narra autoficcionalmente sua paixão por um cara 30 anos mais novo, quando ela já havia entrado nos 50, tinha 2 filhos e nenhuma vontade de ter outros. “Se não escrevo as coisas, elas não encontram seu termo, fico apenas com as dúvidas”, escreve ela na epígrafe. Ou seja: na dúvida, escreva sempre.























PROPOSTA
Bueno, é isso o que você escrever: uma história de amor entre uma mulher mais velha e um cara mais jovem.
Quão mais jovem, quão mais velha?
Não precisa enovelar tudo. Pode simplesmente descrever uma das partes do enrosco.
Pode ser como começou.
Pode ser uma cena do meio.
Pode ser o desfecho.
Pode ser simplesmente uma ida a uma sorveteria, a um teatro, a um bar, a um show, a um motel, a um drive-in, a um culto, a um casamento.
Importante é que ambos os personagens sejam descritos.
Importante é que sejam descritos o desnível, a diferença, o estranhamento entre os dois.
Importante é que eles façam comparações com ex parceiros.
Importante é que seja descrita o fascínio de uma pelo outro, ou da outra pelo um.
Quem começou o quê, quem terminou o quê?
Onde se conheceram, onde se desconheceram?
Além da idade, existem outras diferenças sociais entre eles?
Como foi a reação específica de amigos, de vizinhos, colegas, conhecidos, alguém em especial?
Você pode contar do ponto de vista da mulher, do cara, ou na terceira pessoa (discurso indireto livre).
Você pode escolher entre escrever autoficção ou ficção pura – ninguém vai ficar sabendo mesmo.
Use pequenas cenas encadeadas.
Ou uma única grande cena.
Não conte, mostre.
Se quiser, pode espalhar aqui e ali algumas reflexões sobre as diferenças e as semelhanças entre ambos.
Em uns 8 mil toques.
