Falo de mim falando dele

Com Saia da Frente do Meu Sol (Autêntica), Felipe Charbel prossegue em um projeto literário muito consistente e original. Seu primeiro livro, Janelas Irreais, já que mostrava um bem dosado blend de autoficção e ensaio, mas era basicamente um livro em que o objeto principal era ele mesmo, sua crise conjugal e sua crise acadêmica. Em seu segundo livro, o historiador carioca dá um passo adiante e usa como objeto as memórias, fotografias e alguns objetos deixados por seu tio Ricardo. É a chama da “virada etnográfica“, no dizer da crítica Diana Klinger, em que a autoficção volta suas lentes para o lado de fora de maneira a descortinar o lado de dentro – mecanismo que faz a riqueza de escritoras como Annie Ernaux e Rachel Cusk. Em um livro muito enxuto, comovente e ao mesmo tempo bem-humorado, lança luz sobre o sombrio quartinho de empregada onde viveu o inválido parente até sua morte. O resultado é um dos melhores livros deste ano.

PROPOSTA

Pois é isso mesmo o que você vai fazer: vai reconstituir a história por trás de uma foto de família.

Pegue uma ou duas fotos pessoais, familiares, em que tenha personagens, de preferência, e tente, através da autoficção e do movimento ensaístico, desenterrar a história perdida por trás de tais imagens.

Não precisa se deter em muitos personagens – o ideal seria um ou dois, no máximo. As informações que você vai passar em seu enredo devem estar contidas ou sugeridas na imagem.

Use o máximo de elementos visuais para, através de objetos concretos, dar um contexto, um pano de fundo, uma moldura social e afetiva para seu (s) personagem(ns).

Seria interessante se, através da investigação dessas imagens, você chegar a alguma revelação sobre essas pessoas – ou até sobre você mesmo. Afinal, como disse o Pierre Michon, via Charbel, “falando dos outros é que se fala de si mesmo”.

Pode postar as imagens ao lado do seu texto, claro.

Conte na primeira pessoa, evidentemente, em uns 7 mil toques mais ou menos.

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