Um som do passado

Yoko Ogawa, 61, é uma escritora japonesa bem traduzida no Brasil. Já saíram aqui pela Estação Liberdade o delicado O Museu do Silêncio, o misterioso A Fórmula Preferida do Professor, o genial A Polícia da Memória (finalista do Booker Prize) e, agora, um volume com 3 contos: A Piscina, Diário de Gravidez e Dormitório.

Sua especialidade é narrar de modo muito claro e direto, lançando mão de enigmas sutis que vão abrindo clarões na narrativa e nos deixando muito presos ao suspense. O último conto, uma maravilha em que nada se explicita no clima de perturbação criado pelo enredo, é uma história bastante simples. Enquanto aguarda o marido enviar suas passagens para a Suécia, onde vão viver, a narradora é procurada por um primo distante, que lhe pede o favor de indicá-lo para o dormitório onde ela viveu quando universitária, nos arredores de Tóquio. Ao chegarem ao enorme dormitório, que é administrado sozinho por um velho professor que não tem braços nem uma perna, descobrem que não há mais ninguém vivendo ali.

O conto começa com a lembrança de um som estranho que por alguma razão se conecta a este dormitório. Embora nada seja escondido do leitor, parece haver algo de monstruoso por trás dos eventos mais corriqueiros. A literatura de Ogawa é a prova de que a obscuridade pode estar em plena luz do dia.

PROPOSTA

É exatamente este o ponto de partida do seu conto. Seu protagonista ouve um som evocativo, que o tira da rotina.

Que som é esse? Consegue descrevê-lo? É algo específico, ligado a um objeto animado ou inanimado? É um som estranho ou extraordinário? É musical? Ou é uma voz?

Em que situações seu personagem ouve esse som? Qual é a sensação que ele provoca? Ele lembra de algo significativo quando ouve este som? Desperta uma memória adormecida?

O seu personagem decide entrar em ação para entender de onde vem o som? Ou ele é levado a entrar em contato com esse som? O que acontece quando ele ouve o som por inteiro de novo? De onde sai o som?

Quando seu personagem ouve de novo o som, ele recobra algum coisa específica que aconteceu no passado? Um trauma? Uma memória feliz de algum tempo da infância, da adolescência, da juventude, do começo da vida adulta?

O som está relacionado a uma pessoa, um lugar, uma comida, um acontecimento, um medo, um frisson, um mal estar, uma palavra, uma crença?

O som é relacionado a um cheiro, um paladar, uma imagem ou um toque peculiares?

Como você poderia descrever este som, sem parecer muito objetivo e direto, e sim usando metáforas, associações e analogias?

Estrutura:

1 – (apresentação e conflito) durante sua rotina, seu personagem ouve um som intrigante;

2 – (desenvolvimento do conflito – parte maior) seu personagem vai ficando mais e mais perturbado pelo som intrigante;

3 – (desfecho – parte menor) seu personagem afinal descobre a origem do som.

Você pode contar uma autoficção ou uma ficção. Pode ser verdadeiro ou falso.

Narre na primeira pessoa, em até uns 9 mil toques.

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