Cegueta

Italo Calvino é o santo padroeiro deste curso e dispensa apresentações. Seu centenário é comemorado este ano portanto até o fim de 2023 todo mês leremos um conto dele.

PROPOSTA

Pois é isso mesmo o que você vai fazer: vai contar a história de um personagem que começou a enxergar mal.

Mas mal como? É míope, hipermétrope, cego de um olho, dois dois? Tem catarata ou vê fantasmas? Tem dor nos olhos? Tem um olho de vidro? Ou dois olhos de vidro? Usa óculos, lentes de contato? Ou se recusa a usar? Ou apelou para um cachorro e uma bengala?

Ou será que sua falta de visão é de outra ordem? Será que ele deixou de ver determinados objetos, determinadas figuras? Será que não está enxergando algo em sua vida que está bem na frente de seu nariz? É uma cegueira de um tipo psíquico, ou talvez metafísico?

Quais são suas principais dificuldades? Não consegue sair de casa? Não reconhece as ruas? Não reconhece pessoas familiares? Tropeça, perde-se, perde o ônibus? Envolve-se com pessoas feias? Envolve-se com pessoas que já conhecia? Envolve-se com pessoas perigosas?

Seu personagem está consciente das agruras do seu conjunto óptico? Ou ainda não se deu conta? Ou está se dando conta aos poucos? Ele reflete sobre sua falta de visão? Compara a sua falta de visão a alguma carência de seu caráter? Por exemplo: a falta de ambição, de apuro estético, de curiosidade, de noção?

Você vai narrar um dia na vida de seu personagem, de manhã até de noite, desde que ele sai de casa até que volte (ou não) para casa.

Veja bem: seu probleminha de visão vai levá-lo a dificuldades mais sérias.

Conte no discurso indireto livre, em até 8 mil toques.

Deixe um comentário