
Pirandello é autor de um dos exemplos máximos de metaficção no século 20, Seis Personagens à Procura de Um Autor, já viram? Não é preciso dizer mais nada – a não ser que o maravilhoso Um, Nenhum, Cem Mil, romance que publicou pouco antes de ganhar o Nobel, acaba de ser relançado, com aparatos de Alfredo Bosi e Sérgio Buarque de Holanda, além de nova tradução a cargo de Maurício Santana Dias.






























PROPOSTA
Bem, é isso o que você vai fazer: vai escrever uma ficção a partir do momento em que seu personagem toma uma súbita percepção a respeito de uma verdade pública de seu corpo e muda a maneira como concebe sua própria identidade.
Qualquer fato biológico ou mesmo de comportamento.
Pode ser algo em sua aparência. Um detalhe físico, como o nariz de Pirandello. Ou um jeito de andar, de se mexer, de se vestir. Ou até uma forma de falar determinada coisa, uma muleta verbal.
Esta percepção vai ser dada através de um fator externo. Ou seja, o protagonista vai se ver de fora através de menções ou observações de outras pessoas. Podem ser amores, amigos, parentes, vizinhos, colegas de trabalho ou alguém totalmente aleatório. Ou pode ser um vídeo, uma foto, um registro qualquer da expressividade de seu corpo no espaço.
E aí, o que acontece com isso? O personagem entra em crise. O que ele faz depois que descobriu que sua aparência é diferente da essência que ele projetava de si mesmo?
Você tem duas alternativas:
pode escrever uma autoficção;
pode criar uma ficção pura.
Tanto em um registro como em outro, você pode:
escrever de um modo bem realista;
partir para o absurdo completo.
E aí, como termina? Você tem duas opções:
seu personagem se aceita;
ou tenta mudar completamente.
Escreva, claro, na primeira pessoa, em até 9 mil toques.
