Decolonial

Gabriela Wiener

Exploração (Todavia) é um passo além das investigações de Gabriela Wiener usando a forma ensaio e o próprio corpo. A escritora peruana, conhecida por reportagens em que coloca a si mesma como protagonistas, lançou em 2008 Sexografias, coletânea de reportagens sobre assuntos como atores pornô, clube de suingue, polígamos, violência de gênero e sua vida de mãe dentro de um trisal. (Ela estava com Juliana Frank naquela famosa mesa da Flip.) Exploração radicaliza as empreitadas de Sexografias e Nueve Lunas, reportagem sobre a própria gravidez, unindo jornalismo e ensaio para insurgir-se contra o jugo colonial de territórios, imaginário e tesão. O corpo que protagoniza este livro é conflagrado por disputas que remontam à história e se desdobram nos incertos movimentos do desejo e do afeto. A morte do pai e os fantasmas do passado marcam esta exploração memorável sobre o amor, o desejo e o racismo na América Latina. Da obscura biografia do tataravô austríaco, arqueólogo malogrado, às redes fluidas do poliamor, Wiener define o ensaio pessoal, gênero que honra na altura de uma Vivian Gornick, como “o sofrido artesanato do eu”. Não se poderia encontrar definição melhor do exercício que resulta nestas páginas espantosas.

PROPOSTA

Você vai começar seu conto mais ou menos por este mote: seu protagonista vai visitar um lugar e descobre que um objeto importante que lhe pertenceu está ali.

Que lugar é este? A casa de um amigo, um museu, uma escola, uma loja?

Que objeto é este? E qual o seu valor de significação, para além de seu valor intrínseco?

Quem teria deslocado o objeto de lugar? Quando?

Você vai centrar a narrativa no momento em que o protagonista entra no tal lugar e percebe que seu objeto está ali. Pode fazer algum flashback para se recordar de sua relação com o objeto. Mas o importante é descrever a cena.

E mais: o que vai fazer agora que descobriu o malfeito? Pegar o objeto de volta? Fazer um escândalo? Ou fingir que nada aconteceu e deixar o objeto lá?

Se quiser, pode fazer como Gabriela Wiener e escrever na forma de ensaio, centrando o foco no objeto roubado – mas não deixe lado o enredo, a cena, os personagens, o que de fato acontece.

Escreva em até 7 mil toques, em qualquer pessoa – inclusive, se quiser, pode ser você mesma(o).

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