
Italo Calvino escreveu os contos de Os Amores Difíceis entre 1945, quando tinha vinte e dois anos, e o início dos anos 1950, época em que já se firmava como uma das principais vozes da literatura italiana. Os temas são diversos: um soldado tímido tenta seduzir uma viúva durante uma viagem de trem; uma respeitável senhora vive o drama de perder a parte de baixo de seu biquíni no mar quando a praia está cheia; um leitor oscila entre a realidade da ficção e a fantasia da realidade; um míope enfrenta as agruras do uso de óculos; uma esposa descobre o adultério e o mundo no botequim da esquina; um bandido e o sargento que o procura resolvem passar a noite na cama da mesma prostituta.
O que unifica as histórias é o profundo senso de composição de Calvino, atento aos mínimos detalhes da narração. Aqui, revisita a obra de mestres como Guy de Maupassant e Anton Tchekhov, inigualáveis na arte da narrativa breve. Nesses textos, encontramos sempre um desenho geométrico, um jogo combinatório, uma estrutura de simetrias e oposições, um tabuleiro de xadrez em que os movimentos das peças brancas e negras dialogam em cadência de balé.
Os Amores Difíceis é um livro que comprova a tese da escritora canadense Margaret Atwood, que após a leitura desses contos passou a considerar Calvino o maior escritor italiano do século XX.








PROPOSTA
Você vai contar a história de uma mulher que tem três namorados.
Só que o namorado 1 sabe do namorado 2 mas não sabe do 3, o namorado 2 sabe do namorado 3 mas não sabe do 1, e o namorado 3 sabe do 1 mas não sabe do 2.
Mesmo sabendo não serem os únicos, imaginam-se com algum tipo de privilégio sobre os outros.
Agora imagine que o quarteto está na mesma situação, no mesmo tempo e no mesmo espaço:
Numa igreja
Num restaurante
Numa festa
Numa escola
Num carro
Num museu
No local de trabalho
Numa delegacia
Aí acontece o seguinte:
Um dos namorados sofre um acidente
Um dos namorados comete uma gafe
Um dos namorados surta
Um dos namorados se mete com o outro namorado
Um dos namorados se mete com outra mulher
Conte do ponto de vista da mulher – pode ser na primeira pessoa ou no indireto livre -, em mais ou menos 7 mil toques.
