Golpe

Ali Smith nasceu em Inverness, na Escócia, em 1962, e vive atualmente em Cambridge.
Autora de romances, contos, peças de teatro e crítica literária, recebeu alguns dos mais importantes prémios literários do Reino Unido, como o Baileys Women’s Prize for Fiction, o Goldsmiths Prize, o Costa Book Award e o Scottish Arts Council Award. Foi também, várias vezes, finalista do Man Booker Prize. No Brasil ela é publicada pela Cia das Letras, que trouxe livros como A Primeira Pessoa, um de seus volumes de contos mais criativos. Conhecida pela inventividade e pela prosa fluente, Smith não repete procedimentos em suas ficções breves. Ao lado de Lydia Davis, é uma das melhores experimentadoras de formatos na língua inglesa. Neste conto publicado na Granta 10, que acaba de sair, ela funde duas histórias – aliás é um texto perfeito para abordar a Teoria das Duas Histórias de Piglia. Em uma história, a narradora está pesquisando o escritor DH Lawrence. Em outra história, descobre que foi vítima de um golpe. As duas histórias não têm nada a ver uma com a outra. Mas, por algum misterioso motivo, se encaixam.

PROPOSTA

Bem, é exatamente isso o que você vai fazer: vai contar uma história de um golpe enquanto conta a pesquisa que está fazendo sobre determinado assunto.

Tente lembrar de um golpe de que você foi vítima. Ou alguém que você conhece. Qualquer tipo de golpe. Pode ser virtual ou real. Muito dinheiro ou pouco dinheiro. O importante é vc detalhar as fases do golpe, camada por camada, todas as chateações e aborrecimentos.

Só que, enquanto o golpe se processa, a vida continua. E você tem que concluir uma pesquisa sobre aquele assunto tão importante, pelo qual você está obcecada/o. Apesar de estar chateada/o com o golpe, não consegue tirar o outro assunto da cabeça.

Vá tramando as duas narrativas em paralelo, até que o golpe se resolva.

Ou não. Você também pode optar pelo final aberto.

Ou não. Você pode concluir sua pesquisa de modo surpreendente.

Ou não. Uma das histórias pode se concluir, e a outra não.

Escreva uns 9 mil toques, na primeira pessoa (mas não precisa ser você, pode ser um personagem).

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