Se eu fosse outro

Se o universo estiver em seu devido prumo, Cesar Aira leva o Nobel neste dia 5 de outubro. O mais prolífico dos autores argentinos contemporâneos – parece que já passou dos 120 livros publicados, mas há controvérsias – é também o mais inventivo, em sua aproximação minimalista entre a metaficção, a autoficção e a ficção especulativa. Além de escrever muito e muito bem, escreve com muito bom humor e é fã do Sérgio Sant’Anna, a quem traduziu para o espanhol (Serjão também era fã). No mundo eu não vejo páreo pra ele. Vejam esta maravilha, publicada na Granta 10.

PROPOSTA

Pois é isso mesmo o que vai fazer. Você vai imaginar o que aconteceria se você fosse ou tivesse um artista.

Pode ser um devaneio seu, ou pode ser um devaneio de um personagem. Uma espécie de fuga, ou de sonho. Ou então pode ser mesmo que seu personagem, ou você, se torne um outro artista, um artista conhecido, nem que seja por um dia. Como isso aconteceu, o seu personagem enlouqueceu, entrou em delírio? Ou então ele de fato se tornou outro?

Mas, na opção de ter um artista, como ter um Picasso, ter uma obra deste artista, que obra seria? Uma peça de música, de dança, de escultura, de pintura, de ópera? Imagine ter acesso a uma obra desconhecida de um artista, algo que só seu personagem tenha. Como aquilo veio parar em suas mãos, o que ele vai fazer com aquilo, como é a obra?

Você pode, se quiser, aproximar seu enredo – que deve partir de eventos bem concretos – de um ensaio sobre tal artista. Porém, não o leve muito a sério, nem o artista em o ensaio. É uma brincadeira, uma obra de ficção, então não é preciso ser denso. Mas sim, pode aproximar a prosa de narração da prosa de reflexão.

Escreva na primeira pessoa, em até uns 8 mil toques.

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