
Halloween é dia de prestar tributo a Edgar Allan Poe, o pai de todos nós. Sem Poe, não haveria o conto curto estruturado como o conhecemos, a narrativa fantástica, ou os gêneros de terror, ficção especulativa e criminal e a ficção urbana, sem falar nos manuais de escrita criativa – sua Filosofia da Composição, em que detalha o processo de criação do poema “O corvo”, é o primeiro exemplar do gênero. Desde que foi traduzido por Baudelaire na segunda metade do século 19, sua influência não para de crescer. Curiosamente, é nesta ficção que esses gêneros todos se misturam – algo que vemos muito naturalmente hoje, mas que em 1845 não era tão comum, ainda mais em um país então periférico como eram os Estados Unidos.












PROPOSTA
O mote é o mesmo: um personagem está vivo, mas está morto. Como isso é possível?
Trate sua história com frieza policial. Proceda a uma investigação. Alguém morreu, mas se recusa a morrer. Como é seu corpo? Como é sua fala? Como esse personagem se manifesta?
Embora seja uma condição impossível, não é preciso ser fantasioso. O interessante é como você vai lidar com a situação como se ela fosse normal, mas ao mesmo tempo extraordinária.
É nesta hesitação entre as possibilidades que seu conto conversará com o gênero fantástico.
Sua história será dividida em três partes:
Em um primeiro momento, seu personagem será mostrado morto.
Logo em seguida, reaparecerá vivo. Descreva sua rotina, o impacto que sua recusa em morrer tem sobre amigos, amores, colegas, vizinhos. Descreva sua própria opinião a respeito de estar simultaneamente vivo e morto. Esta é a parte mais longa da história, então divirta-se. O morto se diverte? Ou ele quer morrer? Como ele se sente?
No desfecho, seu personagem pode optar por a) morrer ou por b) continuar vivo.
Você pode escrever na primeira pessoa (do ponto de vista do morto), da segunda (do ponto de vista de alguém muito próximo do morto, como se conversasse com ele), ou na terceira (como um narrador onisciente), em até uns 9 mil toques.
