Há alguns anos que a canadense Anne Carson sempre aparece nas apostas para o prêmio Nobel. A tradutora e professora de grego antigo alcançou uma voz muito original com seus ensaios que parecem poemas, seus poemas que parecem narrativas e suas narrativas que parecem ensaios. Tem sido bastante traduzida no Brasil: por aqui saíram o romance em versos Autobiografia do Vermelho e a coleção de ensaios Sobre Aquilo em Que Mais Penso (34), Eros, O Doce-Amergo, seu primeiro ensaio (Bazar do Tempo), O Método Albertine, sobre Proust (Jabuticaba) e este inclassificável Falas Curtas (Relicário), que ficam ali na fronteira entre o microconto, a reflexão breve, o memorialismo e o flagrante lírico, exercitando seu notável poder de síntese temperado com muito bom humor em textos surpreendentes, que pulam de um assunto para o outro sem dar seta.






















PROPOSTA
Está vendo essa lista das falas curtas aí em cima? Pois é daí mesmo que você vai partir.
Você vai escolher pelo menos uns 10 desses títulos e escrever seus microtextos.
Desta vez, você vai partir do microconto na direção do poema e do pequeno ensaio. Tudo em prosa, claro.
Não se preocupe em ser longo. A partir de 5 linhas já está valendo. Mas cada um não pode passar de 1000 toques.
Pode escrever na primeira pessoa, pode puxar alguma lembrança ligada à literatura, ou à sua própria vida, pode fazer alguma reflexão nonsense sobre qualquer assunto. Mas tente fazer isso de um jeito criativo. Veja como Carson não repete nenhuma vez a estrutura de uma frase para a seguinte.
Busque suas anotações, exercite a atenção dispersa, faça aproximações não usuais entre assuntos distantes.
Todos os microtextos juntos devem ter uns 8 mil toques.
