Jogo das definições

Millôr Fernandes foi o maior gênio brasileiro do século 20. Nenhum outro artista produziu tanto de tanta coisa. Poeta, cronista, jornalista, cartunista, artista plástico, tradutor, editor, mas acima de tudo humorista e inventor do frescobol, Millôr produzia o tempo todo. Difícil dar conta de tudo o que ele fez, no mais alto nível, mas aqui tem um perfil escrito pelo Mario Sergio Conti que chega perto. O livro abaixo tenho desde os 10 anos, e sempre foi sinônimo de inesgotável diversão. Também indico demais A Bíblia do Caos, que reúne mais de 5 mil maneiras de falar as coisas de um jeito completamente surpreendente.

PROPOSTA

Pois é isso mesmo o que você vai fazer: vai brincar de achar definições novas para coisas velhas.

Primeiro, pegue um dicionário. Abra ao acaso. Pegue a primeira palavra que te atrair. Mas não leia o verbete: use o dicionário só para encontrar as palavras que te chamarem a atenção.

Anote aí umas 30 palavras, o mais diferente umas das outras que puderem. Em geral, substantivos concretos funcionam melhor.

Em seguida, tente se aproximar da palavra através de uma situação, uma definição, um exemplo, uma historieta, uma anedota.

Tente olhar para a coisa como se fosse uma criança, como se fosse um ET, como se você estivesse meio fora de órbita, como se estivesse olhando praquilo pela primeira vez.

Você vai perceber que, quando pegar a mão para escrever de um jeito não convencional, naturalmente vai acabar escrevendo tudo de um modo não convencional. É uma máquina.

Reduza o seu texto ao essencial. Lembre-se que está trabalhando num pequeno glossário, então via usar bastante os verbos ser e estar.

Tente dizer as coisas de uma forma ao mesmo tempo criativa mas simples, sem firulas.

Cada verbete não precisa ser muito longo – pode ter de umas 3 a 10 linhas.

Escreva o máximo de definições que conseguir em uns 7 mil toques.

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