– O Alex convidou uma amiga para jantar com a gente – me informa a minha mulher.
– Quem é ela – pergunto.
– Não sei. Não a conheço. Ela se chama Helena e diz que vocês já se conheceram em algum lugar.
– Alex disse isso? Deve ser a Helena sem H – tentei ser natural imaginando que assim, a Helena verdadeira se desfizesse nas minhas memórias. Desfeita, seria mais fácil não transparecer que um dia a gente tenha se conhecido
– Então você conhece duas Helenas? Para mim todas as Helenas são com H.
– Não, Fanny! Só esta e me lembro dela justamente por ser sem H.
Fanny saiu da sala e voltou com uma sacola estampada que contrastava com o vestido claro. Minha mulher estava muito bronzeada.
-Quer me ajudar nas compras? Vou fazer um espaguete com frutos do mar. Que acha?
– Ótima ideia. Vou até o quarto trocar os chinelos – concordar com todas as ideias e sugestões de minha mulher me proporcionava um alívio diante do constrangimento que me aguardava.
– Nem vai contestar? Pedir pra não colocar mexilhão? Fazer piada com os anéis de Lula?
Do quarto, na luz do fim de tarde, Fanny parecia mais jovem. Devia ser a roupa branca ajustada ou o fato de ela, feito o Alex, estar com o celular nas mãos digitando com os dois polegares. Coisa que Helena tentou me ensinar, mas não aprendi. Vamos lá, esqueça Helena. Lembre-se de que vai vê-la pela primeira vez.
– E adianta pedir? Você sempre coloca o mexilhão. Está falando com o Alex? Ele está no quarto aqui do lado, não precisa do celular.
– Não. Acabei de enviar mensagem para a Helena.
– Ah é? Já tem até o número dela? Estou pronto. Vamos?
– De onde você conhece a Elena sem H?
– Ela vende sanduíche natural numa banquinha perto do trabalho- foi o que me ocorreu dizer.
– Hummm. Você? Comendo estas coisas?
– Não. Paro lá com o Ademir. Ele que me apresentou a Elena. Ia ser muito difícil ser esta Helena que me conhece.
– Pois esta Helena veio para cá vender sanduíches.
– Não acredito.
– Disse também que já conhecia o Alex e se reencontraram na praia.
